Desde a década de 20, com a revolução nos guarda-roupas causada por Coco Chanel, as calças passaram definitivamente a fazer parte do vestuário feminino e se tornaram item fundamental nas coleções dos grandes estilistas. Elas já foram justas, largas, compridas, curtas, baixas e altas na cintura, com bordados, zíperes, produzidas com todo tipo de tecido. Há alguns anos, a novidade tem ficado por conta da cintura, ou cós, que vem baixando a cada ano. Hoje é possível encontrar nas lojas modelos que não têm mais de 10 cm de gancho.
De acordo com a empresária do ramo de confecções Mônica Negreiros, o cós baixo não é uma novidade dos nossos tempos. ''Ele vem da década de 70, que é uma das épocas mais revisitadas da moda. A diferença do modelo de antigamente para o de hoje é que antes as calças eram mais largas no corpo e agora estão bem justas'', explica. Tão justas que chegam a ser rejeitadas por algumas mulheres que temem deformar o corpo, criando os temidos pneuzinhos abaixo da cintura. Afinal, quem não sente inveja das divas dos anos 50, com as cinturinhas construídas com a ajuda de espartilhos, cintos e roupas ajustadas?
Cintura dupla Os médicos especializados em estética não confirmam a teoria de que o corpo mude dependendo das roupas que usamos, mas a transformação nas adolescentes que aderiram à moda do cós baixo é visível. ''Eu acredito que a calça muito baixa deforma o corpo. A mulher fica com duas cinturas. Outro problema é que as brasileiras têm mais bumbum e a calça baixa demais não se adapta direito e causa constrangimento na hora de sentar'', diz Mônica, que produz modelos de no mínimo 21 cm de gancho. Para tentar resolver ao menos esse incômodo, algumas fábricas desenvolveram o cós anatômico. ''Ele continua sendo baixo na parte da frente, mas é mais alto atrás, evitando que o bumbum apareça'', explica a proprietária da Basic, Soraya Lúcia Victorino Martins.
Por essas características, de acordo com ela, as calças de cós baixo geralmente atingem um público mais jovem. ''Temos pessoas mais velhas que compram nossas calças, mas muitas mulheres com mais de 25 anos já não querem usar peças muito baixas. Nós temos modelos que vão de 15 a 21 cm de altura, e, as mais altas, que mesmo assim são baixas, vendem mais para esse público. As que têm ganchos menores, só mesmo para manequins pequenos e pessoas mais novas'', garante Soraya.
''Uso calças superbaixas porque acho mais bonito e sou bem magra. As altas só uso quando estou trabalhando, porque daí não posso escolher'', comenta a modelo Débora Klein, 18 anos. ''Acho que ficam melhor com blusinhas e são mais confortáveis'', acrescenta. Já a universitária Bárbara Côrtes, 18 anos, diz que não gosta dos modelos muito baixos porque acha que deformam o corpo.
Apesar de as calças baixas exigirem um corpinho enxuto, o desejo de estar na moda seduz até mesmo quem não pode comprá-las. ''As pessoas acabam aceitando o cós baixo. Mesmo as mais gordinhas, com formas mais propensas a formar pneuzinhos, compram bastante'', garante Soraya.
A gerente Neide Fávaro de Carvalho, da M.Fleury, loja especializada em grifes mais clássicas, diz que teve que se adequar ao desejo das consumidoras e pedir calças mais baixas. ''As filhas das nossas clientes vêm na loja acompanhando as mães e pedem por modelos de cintura baixa. Elas até sabem que podem ficar com barriguinha e pneu, mas não ligam'', comenta.
Como antigamente Mas para quem sente saudades das antigas calças altas, algumas fábricas ainda produzem esses modelos. Marlene Ferreira de Sousa, proprietária da Blase, loja que vende modelos de cós alto em vários tecidos e tamanhos, afirma que muitas mulheres preferem os modelos tradicionais. ''Atendemos mulheres de várias idades e manequins que buscam calças com cós mais alto. São pessoas que não se sentem à vontade com as peças baixas. Os modelos são iguais às calças de hoje no corte e nas lavagens, mas o gancho continua com 25 ou 26 cm de altura'', garante.
Uma das clientes da loja, a professora universitária Aparecida Theodora Gozo, 46 anos, diz que já tentou usar calças mais baixas, mas acha as altas mais versáteis. ''Pela minha profissão, preciso me vestir de maneira mais séria. Acredito que seja uma questão de estilo e o cós baixo não combina comigo. A calça de cós alto serve para qualquer ocasião e acho que veste melhor. Também não sou o tipo de pessoa que vai atrás de moda. Visto aquilo que eu gosto'', completa. n

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