Cinomose e atropelamento lideram o ranking de atendimentos no HV
O Hospital Veterinário, da Universidade Estadual de Londrina, atende de 30 a 40 animais por dia, entre novas consultas e retornos. E no ranking dos problemas mais atendidos, ganha disparado a cinomose, uma doença infecto-contagiosa. Geralmente, os cães já chegam em fase avançada da doença e não tem mais tratamento. É preciso, então, sacrificá-los. Há semanas em que chegamos a fazer de 10 a 12 eutanásias, diz a professora Eliane Cristina Pereira, da clínica médica de pequenos animais.
Ela explica que a cinomose é combatida com a vacina sêxtupla, aplicada a partir dos 45 dias de vida do animal. Mas a revacinação anual é imprescindível. É aí que o povo de Londrina peca, pois eles só aplicam as primeiras doses. Depois de um ano, se o animal entrar em contato com o vírus sem estar revacinado, não tem mais memória imunológica, alerta. De acordo com Eliane, a doença é tão contagiosa que as pessoas podem até carregar o vírus na roupa e na sola do sapato. Por isso, nos preocupamos muito com nossos residentes, alunos e enfermeiros que têm animais em casa. O cuidado com a revacinação tem que ser redobrado nesses casos, afirma, esclarecendo que a doença não é transmissível para os humanos.
Já leptospirose, cujos casos também são frequentes no HV, pode infectar os homens. Eliane explica que a transmissão acontece através dos ratos, que saem dos bueiros, vão para as casas e urinam na ração e na água do cachorro. A urina do cão pode transmitir a doença às pessoas caso tiverem uma lesão nos pés ou nas mãos. É preciso ter cuidado, principalmente em épocas de chuva, quando os ratos saem dos esgotos, esclarece.
Atropelamentos e mordidas são outras causas de atendimentos. Eliane orienta os donos a nunca levar o cachorro para passear sem a guia, mesmo que ele seja manso. É para a proteção dele mesmo. Durante esses passeios curtos é que acontece a maioria dos acidentes, avisa. Eliane aponta ainda a doença do carrapato entre as principais causas de atendimentos no HV. O animal se infesta e chega aqui magro, com perda de apetite e sangramento pelo nariz ou através da pele. Chamamos de erliquiose, que é transmitida pelo carrapato infectado, destruindo os glóbulos brancos e as plaquetas do cão. A doença só é detectada através de exame de sangue, explica Eliane.
Intoxicação O recado para os proprietários, portanto, é: cuidado com os carrapatos. Não pense que é só passar remédio e pronto. Se o diagnóstico da doença demorar a ser feito, o animal pode ficar em um grau de anemia tão grande que pode morrer sangrando, diz a professora, informando que o tratamento é feito com antibióticos durante 21 dias.
No que se refere aos gatos, o maior problema são os anticoncepcionais, que causam infecção uterina (piometra). Geralmente, as pessoas são instruídas em casas agropecuárias e acabam aplicando a injeção em períodos errados, quando a gata já entrou no cio, o que acarreta um descontrole hormonal muito grande, observa Eliane. Também muito frequentes são as intoxicações. Basta ter um vizinho que não gosta de gato. Colocam veneno na comida, em cima dos muros. O gato ingere e morre em meia hora.
O veneno usado é o fluoroacetato de sódio, conhecido popularmente como mão branca. A comercialização é proibida, pois é altamente tóxico e pode até matar uma criança. Mas tem gente vendendo até por baixo do balcão, denuncia Eliane, que responde dúvidas de quem tem animais de estimação no quadro Vida Animal, no programa do Zezão, transmitido diariamente às 9h30 pela Paiquerê AM. (R.V.)





