Quem diria, em matéria de sapatos, a boneca Barbie ganha de Imelda Marcos: mais de 1 bilhão de pares contra os 3 mil da ex-primeira dama filipina. No seriado Sex and the City, a personagem Carrie Bradshaw recheava o closet com alguns pares de Manolo Blahnik, designer espanhol das Ilhas Canárias, uma espécie de Picasso do salto alto. As brasileiras não ficam atrás. Sem contar tênis e chinelinhos, a modelo e empresária Ana Hickmann diz que tem uma supercoleção de calçados. Quando morava em Nova York, o marido Alexandre Correa reclamava do espaço acanhado que tinha para acomodar os seus pares.
  Sinônimo de fetiche, sapatos, sandálias e botas alimentam o desejo de muitas mulheres. Para a maioria das entrevistadas, o acessório é mais importante do pque as roupas. Essa atração leva as fiéis consumidoras a cometerem pequenas loucuras, como comprar um mesmo modelito em várias cores ou mandar fazer cópias do par favorito.
  A atriz Alessandra Begliomini, a Leka, tem 123 pares, entre sandálias de Manolo Blahnik (quatro modelos clássicos, um deles com oito anos de uso), Christian Dior e da brasileira Maison Saade. ‘‘Compro até em brechós se me apaixonar’’, conta. Os modelos com salto e bico fino são maioria na coleção. ‘‘Já tentei usar plataforma, mas não me adaptei bem a esse tipo de salto.’’ Na sua opinião, por mais básica que seja a roupa, um sapato ou uma bolsa de cor e modelo especiais valorizam a produção. Ciumenta do acervo, não costuma emprestar e quando gosta muito de determinado modelo manda fazer uma cópia. ‘‘Quando o sapato é muito bonito, tenho até dó de usar’’, brinca.
  Cliente fiel da badalada designer Constança Basto, a número um das celebridades novaiorquinas, a publicitária Aniella Sharp tem resposta na ponta da língua para explicar sua paixão por sapatos. Segundo ela, o pé é uma das partes mais femininas e sensuais do corpo da mulher. Aniella conta que herdou da avó o gosto pelo acessório. ‘‘Ela dizia que uma pessoa chique e de estilo se conhece pelos sapatos e bolsas.’’
  A publicitária calcula ter uns 90 pares espalhados por quatro armários, que estão recheados de exemplares Chanel, Dior e Manolo Blahnik e da brasileira Constança Basto. Com 1,65 metro, ela usa e abusa do salto alto. Entre as preferências, destaca as sandálias com tirinhas e cristais Swarovski, que usa até com jeans.
  Quanto às cores, muita ousadia. ‘‘Gosto de rosa, salmão, verde, e coordeno com roupas sem problemas. O segredo é não exagerar.’’ A consultora de Recursos Humanos, Ana Paula Bonilha, diz que a fase de só usar tênis passou assim que começou a prestar atenção na reviravolta fashion dos calçados nacionais. Fã das marcas Shultz e Arezzo, ela fala que não repete duas vezes o mesmo modelo na semana.
  Pudera, o seu acervo conta com quase 100 pares de todas as cores, inclusive um chamativo verde-limão. Mesmo com 1,77 metro de altura, ela não abre mão do salto alto. ‘‘Também gosto das rasteirinhas, das botas estilo cowboy e de sapatos Chanel, especialmente, os bicolores.’’

  Às vezes, namora um modelo na vitrine, compra e acaba não usando. Entre as manias, quando gosta de um sapato em especial, já arremata uns três pares de cores diferentes.
  A moda sempre esteve presente na vida de Verinha Queirós, dona da Sinhá, tradicional loja de roupas femininas do Shopping Iguatemi. ‘‘Não ligo muito para roupas e acho que bolsas e sapatos têm um peso maior no visual.’’ Ironicamente, o forte da Sinhá são as roupas e não os acessórios, mais um motivo para Verinha ir às compras. ‘‘Tenho uns 40 pares de couro, tecido, cobra, com e sem brilho.
  Isso sem contar os tênis e as sandálias. Costumo comprar em viagens, mas não ligo para marcas.’’ Os sapatos de salto são sua marca registrada. O mais especial da coleção, do qual não se desfaz de jeito nenhum, é um modelito da grife Franciska Hubener.

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