O tabagismo já é considerado uma doença ''pediátrica'' pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma vez que em 90% dos casos o uso do cigarro se inicia entre os cinco e os 19 anos de idade.
Em uma pesquisa realizada com 1.200 jovens pelo médico Jorge Jaber, Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro Aperj, 80% disseram ter experimentado cigarro. ''Os jovens assumem ter fumado como se não estivessem fazendo nada de errado. A maioria não tem consciência do mal que o cigarro causa'', diz Jaber.
De acordo com levantamento do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas em dez capitais brasileiras, a experimentação do tabaco vem aumentando entre jovens de 10 a 18 anos. Nas universidades americanas, o número de fumantes aumentou 28% na última década. ''O problema é que a metade dos jovens que experimentam cigarro durante a adolescência acabam se tornando dependentes no futuro'', afirma Analice.
Depedência Segundo a Organização Mundial de Saúde, existem no Brasil cerca de 2,4 milhões de jovens que fumam, sendo que, em 90% dos casos, o uso começa entre os cinco e os 19 anos de idade. ''Por essa razão que a OMS já até considera o tabagismo como uma doença pediátrica'', conta a especialista. Dados da OMS indicam que a nicotina causa 80% de dependência, o que significa dizer que de cada dez pessoas, apenas duas conseguem abandonar o cigarro.
Na opinião dos médicos, em adolescentes o cigarro compromete o condicionamento físico, prejudica o desenvolvimento dos pulmões, aumenta em sete vezes as chances de se ter excesso de pêlos no rosto, além de tornar duas vezes mais comum a tosse acompanhada por catarro ou sangue e três vezes mais frequente a falta de fôlego. A pulsação cardíaca nos adolescentes que fumam aumenta de duas a três batidas por minuto em relação aos não-fumantes, e as chances de se contrair o vírus da gripe são cinco vezes maiores.
O cigarro também é a principal ''porta de entrada'' para o consumo de drogas mais pesadas. Segundo um estudo da UnB, entre os jovens de 10 a 20 anos que fumam diariamente no Distrito Federal 50% já experimentaram ou consomem drogas mais pesadas. Entre os fumantes ocasionais, 17% relataram o consumo de outras drogas e entre os não-tabagistas, apenas 2% admitiram ter provado outras substâncias tóxicas.
Drogas pesadas As drogas mais citadas nos questionários, por ordem de frequência, foram maconha, cocaína, craque, merla e lança-perfume. Alheia à relação entre o trabaco e as outras drogas, grande parte dos jovens garante que pode parar de fumar quando quiser. ''Estudos mostram que não é bem assim. Parar de fumar é muito mais difícil do que começar'', diz Analice. Diferentemente do que ocorre com outras drogas, os efeitos da nicotina não são sentidos a curto prazo, o que pode estar na origem da ''condescendência social'' em relação ao cigarro.
O tabagismo é a principal causa de morte evitável do planeta, vitimando cerca de cinco milhões de pessoas anualmente. Mesmo assim, a OMS calcula que um terço da população mundial adulta, isto é, 1,2 bilhão de pessoas, seja fumante. No Brasil, 200 mil mortes por ano são causadas pelo cigarro, segundo o Instituto Nacional do Câncer Inca.
Embora a indústria do tabaco ganhe muito dinheiro e gere grande arrecadação de impostos, o cigarro causa perdas à economia global estimadas em 200 bilhões de dólares por ano. Esse valor, calculado por um estudo do Banco Mundial, é o resultado da soma de fatores como tratamento de doenças, morte de cidadãos em idade produtiva, aposentadoria precoce, faltas e menor rendimento no trabalho. n

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