Conhecer outros países, suas belezas e cultura está nos planos de um grande número de jovens do mundo todo. A Convivência Internacional de Jovens (Cisv) é uma das muitas organizações que viabilizam a aventura. Mais que um simples turista, contudo, o viajante cisviano leva na bagagem de ida a missão de mostrar sua cidade, seu país, o que inclui as festas populares e a culinária. No regresso, o álbum de fotos revela histórias de laços de amizade e aprendizado de vida.
Organização Não Governamental (ONG), independente e voluntária, o Cisv tem como filosofia promover a educação para a paz e a amizade entre os povos. Com este espírito, crianças e jovens do mundo todo se encontram anualmente em diversos países para conhecer outros idiomas e culturas, convivendo em ambientes onde são respeitados, independentemente da raça, cor ou crença.
Durante o mês de julho, cada ‘‘chapter’’ – nome da unidade local do Cisv que representa uma cidade ligada à fundação; Londrina é um ‘‘chapter’’ que envia delegações para outros países, ou cidades do próprio país, para participar dos programas que são direcionados por idade. Crianças a partir dos 11 anos já podem se integrar ao Cisv.
Programa da família Entre os programas oferecidos estão acampamentos e períodos de convivência em casas de família. Nas viagens, jovens têm o respaldo de monitores que acompanham as delegações. Os pais, a família como um todo, têm papel fundamental na realização dos programas, atuando como voluntários e participando da organização das atividades. A coordenadora em Londrina do Interchange, um dos programas do CISV, Rejane Bastos, define a organização como ‘‘uma cooperativa de pais trabalhando pelo mesmo objetivo.’’
A jornalista Quitéria Brevilheri, mãe de Laís, que fez o intercâmbio, acredita que participar do Cisv é proporcionar aos filhos uma grande experiência de crescimento. ‘‘Você abre o mundo para seu filho’’, observa. Segundo Quitéria, saber que seu filho está na casa de uma família cisviana é um aspecto tranquilizador da integração. ‘‘É uma grande segurança’’, diz.
Pelo programa Interchange viajam jovens de 13 a 15 anos. A delegação é mista e é acompanhada de um ou dois monitores maiores de 21 anos. Um exemplo: cada integrante da equipe londrinense vive um mês na casa de uma família que tenha um jovem da mesma idade e sexo. No ano seguinte, acontece a troca: é o irmão estrangeiro que conviverá com a família brasileira. O ‘‘chapter’’ londrinense inicia inscrições de famílias interessadas no intercâmbio cultural nacional e internacional.
Experiências Em recente encontro, membros das delegações intercambistas falaram da experiência longe de casa. A estudante Laís Brevilheri, 14 anos, integrou a delegação que embarcou para Detroit (EUA) em julho de 1999. Mesmo fluente no inglês, ela conta que a língua é uma dificuldade ‘‘até se pegar o ritmo dos falantes de lᒒ. A convivência com a nova família também teve um período de adaptação: ‘‘No começo a gente se sente meio hóspede; depois já é uma filha.’’
Paula Mezzaroba, 15 anos, companheira do intercâmbio americano, conta que ficou ‘‘muito amiga’’ da irmã estrangeira, Anny. Na despedida, muitas lágrimas e roupas mais justas com os sete quilos extras adquiridos. ‘‘Lá não há horários determinados para as refeições. Se quiser, você come pizza às três da tarde e eu comia.’’
O colega Frederico Leitão Ermel, 16 anos, destaca que o intercâmbio ‘‘não é só um passeio.’’ Das observações, ressalta a dedicação em tempo integral do povo americano ao trabalho e as poucas horas reservadas ao lazer. ‘‘Não quero isso pra mim’’, revela.
Nicole Sahão, 15 anos, que integrou a delegação que aterrissou na Austrália em dezembro passado, lembra que a viagem foi uma oportunidade para aperfeiçoar a língua inglesa e conhecer pessoas. Observa, também, que viver com outra família faz de você uma pessoa mais tolerante, na medida em que tem que se adaptar aos costumes e ao cotidiano daquela comunidade.
Marina Lombardi, 14 anos, Rafaela Oliveira e Bruna Frazon, de 17 anos, voltaram impressionadas com a paixão dos australianos por alguns ritmos da música brasileira, com destaque para o axé, cantado e dançado na maioria das festividades de que participaram.
O advogado César Augusto Scalassara, monitor da delegação do intercâmbio de Detroit, ressalta a responsabilidade da sua função no grupo. O monitor é o representante legal lá fora, o coordenador das atividades desenvolvidas. Ele diz que ‘‘o monitor é o ponto de apoio da equipe.’’ Juliana Germanovix que comandou a delegação do intercâmbio australiano observa que a preparação que antecede a viagem é fundamental para ‘‘estabelecer o elo de confiança com os jovens.’’

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