Cacau, gordura e açúcar. A receita que é paixão mundial e atinge níveis de consumo mais exacerbados no período da Páscoa deve ser consumida com moderação até mesmo em suas versões ''mais magras'', alerta a professora do curso de Nutrição da Unopar Aline Menezes Tibúrcio.
O alimento traz benefícios à saúde quando o consumo é moderado, especialmente se a escolha for pelos chocolates que contêm em sua composição alta concentração de cacau, como os meio amargos e amargos.
Para quem possui restrição alimentar ou simplesmente não quer engordar durante a Páscoa, a professora esclarece que não é necessário deixar de comer chocolates, basta prestar atenção às diferentes opções no mercado e não exagerar na quantidade. A dica da nutricionista para não errar na dose é consumir 30 gramas de chocolate por dia.
Os chocolates diet e light ainda geram dúvidas e podem confundir o consumidor mais desavisado. As versões diet de ovos e bombons não contêm açúcar, por isso são indicadas para pessoas diabéticas. O sabor doce é proveniente da adição de adoçantes. A notícia ruim é que os chocolates diet possuem maior quantidade de gorduras, utilizadas para melhorar a textura e a cremosidade do alimento. Assim, os diet são mais calóricos que os chocolates convencionais.
Estampar no rótulo a palavra light significa que o produto sofreu redução de 25% no valor calórico, se comparado a um alimento convencional. No caso dos chocolates, é indicado para quem está de dieta e não quer ganhar muito peso. ''Mesmo sendo light, é melhor não exagerar. Se a pessoa consumir muito, vai engordar'', avisa a nutricionista. Os chocolates brancos também possuem mais gordura e resultam em mais calorias que os escuros.
Outro tipo de chocolate especial, que vem ganhando espaço nas prateleiras, é a versão sem lactose, indicada para quem sofre de intolerância ao leite de vaca. A culinarista Marta Alcovér conta que hoje é possível fazer tudo com o chocolate sem lactose, e ainda assim manter um bom sabor no final. Trufas, ovos, bombons maciços e recheados entram nessa linha. ''Fiz uma mesa inteira de chocolates para um casamento de uma noiva com intolerância à lactose'', argumenta.
Dicas de consumo
Ganhou muito chocolate na Páscoa? A dica da professora é doar o excedente aos amigos e conhecidos para não prolongar o consumo dentro de casa. Outra ideia é evitar comer todos os ovos, barras, coelhinhos e bombons no mesmo dia. Ingerir um pouco de chocolate a cada dia vai prevenir possíveis reações adversas do organismo, como irritação da mucosa intestinal.
Os horários para o consumo também devem ser observados. ''É importante não consumir à noite, pois o chocolate contém substâncias estimulantes que podem atrapalhar o sono'', explica Aline. Como a taxa metabólica do organismo diminui à noite, a digestão também tende a ficar mais lenta.
A nutricionista sugere ainda evitar o consumo de chocolate antes das refeições, já que ele pode reduzir o apetite. ''O ideal é comer um pedacinho como sobremesa''.
Páscoa sem chocolate
Helena Davi Borges, de 57 anos, é diabética há cinco anos. A Páscoa para ela não tem sabor de chocolate, nem mesmo de chocolate diet. A dieta especial receitada pela nutricionista até permitiria saborear um pouco da iguaria, mas ela se mostra indiferente diante do chocolate. ''Não gosto de chocolate mesmo. Agradeço a Deus por isso, pois na minha família muitas pessoas têm diabetes'', conta a dona de casa. ''Mas não deixo de comprar ovos de Páscoa. Meu filho gosta, e não faltam barras e bombons em casa'', revela.
Na vida do porteiro João Honorato da Cruz, de 57 anos, a tentação de degustar um pedacinho de chocolate passa longe de sua Páscoa. Depois que descobriu a diabete, mudou radicalmente a alimentação, retirando doces, refrigerantes e carnes preparadas em churrascos. A própria nutricionista que o acompanha liberou o consumo de chocolate em pequenas parcelas durante a Páscoa, mas sua determinação não fraqueja nunca. ''Minha esposa e minha filha podem abrir o ovo do meu lado que eu não sinto vontade. Sou determinado quando o assunto é saúde'', revela.

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