Cheiro de saúde
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sexta-feira, 23 de janeiro de 1998
Celina Alonso Az Maringá 
Marcos NegriniA aromaterapeuta Fran Matsumoto garante que os aromas curam o corpo e o espíritoÉ impossível negar o poder de um perfume. Os aromas podem atrair, curar, afastar, seduzir e até alucinar. Há pelo menos 10 mil anos o homem pratica a aromaterapia, que cura males do corpo e da mente através da utilização de óleos essenciais encontrados na natureza.
Como acontece com muitas técnicas milenares, a aromaterapia voltou a ser difundida nos anos 60, na Europa. Agora chega ao Brasil, onde está sendo amplamente utilizada.
Usar aromas para curar pessoas não é de hoje. Se os reis magos presentearam Jesus com incenso e mirra, é porque já sabiam do poder curativo destes aromas. Nas sombras dos templos enfumaçados do Egito - berço da Medicina, da farmácia e da perfumaria -, sacerdotes entoavam cânticos enquanto seus auxiliares maceravam ervas e extraíam óleos essenciais e fragrâncias milagrosas. Os alquimistas também tiveram grande importância no tratamento, prevenção e cura de epidemias da antiguidade aplicando óleos essenciais. Estes eram a quinta-essência buscada pelos alquimistas. Era formada pela condensação das forças vitais e espirituais das plantas numa forma material, agindo no campo biológico e fortalecendo as defesas naturais do corpo.
Essências nacionais, importadas, aquecedores de óleos e bálsamos são as armas utilizadas pela aromaterapia
Entre as essências mais disputadas da época estavam o cedro do Líbano, as rosas da Síria, espicanardo, mirra, ládano e canela provenientes da Babilônia, Etiópia, Somália, Pérsia e Índia. Aliás, a Medicina Ayurvédica, segundo o Vedas, livro sagrado hindu, há 10 mil anos vem fazendo uso da aromaterapia.
A aromaterapia foi desenvolvida na década de 20 pelo francês Maurice Gattefossé, que estudava o potencial de cura dos óleos utilizados desde a antiguidade como tratamento natural. Não é à toa que depois do sucesso do livro Aromathérapie, do pesquisador Jean Valnet, lançado em 1964, que o governo francês liberou verbas para o seguro-saúde na França, autorizando tratamentos com aromaterapia.
Uma das especialistas em aromaterapia é a argentina Cristina Moro, autora de vários livros lançados pelo mundo. Ela diz que os óleos essenciais são substâncias gordurosas voláteis, extratos vegetais altamente concentrados que contêm hormônios, vitaminas, antibióticos e anti-sépticos. Eles representam o espírito, a alma das plantas. Na rosa, a essência está na flor; na sálvia, nas folhas; no sândalo, na madeira; no ginseng, na raíz, explica a terapeuta. Segundo Cristina, esses óleos podem ser utilizados como remédios alopáticos em homeopatia e em outras terapias mais sutís como a dos florais.
Os óleos essenciais podem ser inalados, colocados na água do banho e, sob orientação médica, até ingeridos, como por exemplo se faz com gotas de eucalipto e menta associadas ao mel, para estados gripais. Eles podem ser diluídos em álcool ou misturados a outros óleos que servem como veículos para massagear o corpo. Podem ainda ser utilizados como cosméticos e perfumes.
Segundo os aromaterapeutas, as essências atuam no campo psicológico e espiritual, atuando no sistema límbico, estimulando a memória olfativa, despertando boas e más lembranças. Podem atuar como energéticos, calmantes e afrodisíacos.


