Chega de fumaça!
Da Redação
Há décadas as pessoas saem dos consultórios médicos com a recomendação de não fumar. A maioria, no entanto, acha que pode abandonar o cigarro na hora que quiser, mas quem já tentou sabe o quanto é difícil ficar sem ele. Essa sensação, muitas vezes torturante, é ativada pela nicotina, presente em todo tipo de cigarro, inclusive nos considerados light, suaves ou mentolados. E a nicotina é apenas um dos 4.500 componentes químicos mais tóxicos, na forma de gases e partículas, que são inalados pelos fumantes e seus vizinhos não fumantes.
Estudos clínicos não estabelecem relação entre nicotina e câncer, e sim entre tais componentes químicos e diversas formas de câncer. Por isso, não há cigarro menos prejudicial à saúde, ao contrário do que afirmam algumas propagandas. Quando a concentração de nicotina no organismo diminui desencadeia-se um processo que cria a vontade de fumar. Essa variação, capaz de despertar o desejo de outro cigarro, é absolutamente pessoal.
Terapias Vencer o hábito de fumar não é fácil e exige determinação. Há várias maneiras de fazê-lo e o grau de eficiência depende de cada indivíduo. Há os que enfrentam o problema sem nenhum tipo de assistência, apenas com força de vontade 5% de acordo com as estatísticas. Os outros 95%, porém, apelam para terapias alternativas como acupuntura, hipnose ou terapias de aversão, utilizando produtos que reagem com a fumaça do cigarro, provocando sabor ruim na boca. E, finalmente, há o processo farmacoterápico, com medicamentos de reposição de nicotina ou sem nicotina. Estes utilizam antidepressivos e enxaguatórios bucais, entre outros remédios. Nos Estados Unidos, todo ano aumenta em 20% o número de fumantes que conseguem abandonar o vício apoiados por tratamentos desse tipo.
Nos métodos de reposição de nicotina, as terapias mais conhecidas são os chicletes, os adesivos e os inalantes em aerossol. Entre os lançamentos nessa área está o NiQuitin Goma de Mascar, que a SmithKline Beecham está trazendo para o Brasil. Apresentado na forma de tabletes mastigáveis, o medicamento tem como componente ativo 2 mg de nicotina na forma de resinato. Ele atua suprindo quantidades mínimas e bem definidas de nicotina para o organismo, reduzindo o impacto da interrupção do hábito de fumar. Embora o medicamento possa ser adquirido sem receita médica foi liberado pela rigorosa Food & Drug Administration dos EUA é aconselhável que todo fumante, ao tomar a decisão de parar de fumar através de uma terapia de reposição de nicotina, tenha o acompanhamento de um médico.
Antidepressivo Outra novidade que chegou ao mercado no mês passado é o Zyban, à base de bupropiona, um antidepressivo que não contém nicotina produzido pela Glaxo Welcome. O remédio atua sobre a área do cérebro que regula as sensações de recompensa e prazer, reduzindo a vontade de fumar. Lançado há dois anos nos Estados Unidos funcionou em 50% dos pacientes norte-americanos, mas melhores resultados são obtidos em tratamentos que associam a bupropiona às terapias de reposição de nicotina e acompanhamento terapêutico. Para os médicos, de forma geral, qualquer remédio é apenas uma parte do processo para acabar com o hábito de fumar. Eliminar o vício exige, antes de mais nada, uma decisão por parte do fumante. O segundo passo, segundo os especialistas, é tomar consciência das dificuldades que irão surgir.
Quando uma pessoa fuma, fica dependente de uma droga chamada nicotina, que funciona como todas as drogas que causam dependência, como o álcool, a cocaína ou a heroína, diz o médico Mauro Zamboni, especialista do Instituto Nacional do Câncer. Isso significa que os primeiros dias sem cigarro serão mais difíceis, observa. Para o médico, os fumantes que decidem largar o cigarro devem saber que podem sentir alterações físicas como ansiedade, dificuldade de concentração, irritabilidade, desejo incontrolável de fumar. Estas alterações compõem a síndrome da abstinência de nicotina. Uma terapia com reposição controlada de nicotina é mais um instrumento no tratamento do tabagismo. O mais importante, eu diria, é a vontade de parar de fumar e a mudança de hábitos, acrescenta Zamboni.
O CIGARRO EM NÚMEROS
30% é o percentual da população mundial de adultos que fumam produtos de tabaco
200 bilhões de dólares é o dispêndio que o tabagismo provoca no mundo todos os anos
500 milhões de fumantes irão desenvolver prematuramente algum tipo de doença
No Brasil há mais de 30 milhões de fumantes, dos quais cerca de 80 mil morrem precocemente a cada ano , vítimas do tabaco
78% dos fumantes declaram espontaneamente a vontade de parar de fumar e apenas 5% conseguem deixar o cigarro sem tratamento
A maioria dos fumantes encontra-se na faixa etária economicamente mais produtiva de 30 a 49 anos.
Fonte: SmithKline BeechamHá várias maneiras de vencer o hábito de fumar, mas o grau de eficiência depende de cada fumante
Foto: Carmen Kley; modelo: Claudio SilvaA nicotina é apenas um dos 4.500 componentes químicos mais tóxicos, na forma de gases e partículas, que são inalados pelos fumantes e não fumantes





