Chega de desperdício
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quinta-feira, 13 de setembro de 2001
Marilena Lazzarini 
Você já pensou em aproveitar a casca do abacaxi para fazer um doce, ou o arroz que sobrou do almoço para preparar um nhoque ou os talos do espinafre para uma panqueca? No início, pode parecer um cardápio pouco apetitoso, mas quem provou assegura que é uma delícia. O melhor é que esse tipo de receita permite que o consumidor utilize o alimento em sua totalidade, evitando o desperdício. As vantagens de adotar essa prática são muitas: redução do lixo orgânico e dos gastos com a alimentação, além dos benefícios à saúde.
As receitas que visam o reaproveitamento de alimentos são compostas, em sua maioria, por talos e folhas de legumes e por cascas de frutas, isto é, tudo que o consumidor brasileiro costuma jogar no lixo. Esses ingredientes são ricos em fibras, vitaminas e minerais. Portanto, são garantia de saúde para quem os consome. Usar as sobras do almoço ou do jantar também é uma boa dica para evitar o desperdício na cozinha.
Quantia certa Mas como escolher os alimentos que podem ser reaproveitados? A revista ''Consumidor S.A.'' www.idec.org.br traz uma série de recomendações a respeito das partes que podem ser utilizadas, além de indicar em quais pratos o alimento poderá ser reaproveitado. O Idec é uma é uma Organização Não-Governamental fundada em 1987, que luta pela defesa dos consumidores.
Na hora da compra, é importante não se deixar levar por ofertas tentadoras. O melhor é avaliar se realmente você irá consumir o produto. Tente medir, portanto, o consumo familiar, planejar as refeições, além de comprar e preparar a quantia certa, sobretudo dos perecíveis.
Se você precisar de ajuda, consulte o guia de alimentação do Idec, intitulado ''O Barato da Feira''. A publicação conta com uma tabela do consumo médio de uma pessoa por refeição, entre outras dicas como valor nutricional e calórico e a safra desses alimentos (lembre-se que frutas e legumes de época são mais baratos e têm melhor qualidade).
Sobras A preparação e a conservação dos alimentos que serão reaproveitados também exigem muita cautela. Isso porque nem todo tipo de sobra pode render um bom prato. Por exemplo, a folha de mandioca é tóxica, dependendo da maneira como é reaproveitada. Já o arroz deve ser guardado apenas por um dia na geladeira.
Em São Paulo, o Sesi oferece um curso gratuito para quem quiser se aprofundar mais no assunto. O curso faz parte do projeto ''Alimente-se bem por R$ 1,00'', que ensina às famílias de industriários e aos demais interessados como escolher, preparar e conservar esses alimentos. A equipe do projeto lançou um livro de culinária composto por receitas que visam acabar com o desperdício na cozinha. São vitaminas, sopas, pratos principais, pães e sobremesas. Das 31 receitas do livro do Sesi, 13 custam menos do que R$ 1,00. No total, a equipe do projeto chegou a formular 120 receitas de baixo custo.
Desperdício Os números do desperdício ainda são altos no Brasil. De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o País perde anualmente R$ 12 bilhões com o desperdício de comida. Esse valor já seria suficiente para fornecer cestas básicas mensais para 8 milhões de famílias. Enquanto isso, cerca de 32 milhões de brasileiros, ou 20% da população, não têm acesso a uma alimentação adequada, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O reaproveitamento de alimentos e os cuidados para não comprar mais do que você irá consumir são alguns caminhos para tentar reverter o quadro do desperdício no País.O livro ''O Barato da Feira'' pode ser adquirido pela Internet: www.idec.org.br ou pelo fone (11) 3872-7188. n


