Que o parto normal é a melhor opção para ter filhos quase todo mundo sabe. Apesar disso, a cesária continua sendo a técnica mais usada para dar à luz. Talvez seja o medo da dor do parto que assuste tanto as futuras mamães, ou simplesmente o hábito comum em nossa sociedade de se submeter à cirurgia com dia e hora marcados. Apesar dos riscos, como em qualquer outra cirurgia, alguns inconvenientes da cesariana já podem ser minimizados com o uso de uma técnica chamada de Misgav Ladach.
O método ficou mais conhecido depois que a apresentadora Angélica, que teve o filho há pouco mais de dois meses, se submeteu à cesária no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Na época, a mídia afirmou que poucos médicos e hospitais realizavam esse tipo de intervenção, que ainda estava em fase de divulgação no Brasil.
Mas segundo o ginecologista e obstetra londrinense Edson Kobayashi, a Misgav Ladach não é realizada só em grandes centros. ''Eu já uso a técnica há cinco anos. As pessoas só não conhecem a Misgav porque os médicos nem comentam com as pacientes que vão utilizar a técnica. Eles simplesmente fazem. É uma decisão que geralmente é tomada no momento do parto, dependendo de cada caso'', diz.
Menos cortes A diferença entre a Misgav Ladach e a convencional está no número de áreas atingidas pelos cortes. ''Na cesariana tradicional são cortadas sete camadas, entre pele, musculatura, gordura e útero. Na Misgav são feitas incisões apenas na pele, fácea e útero; nas demais camadas é feito somente um orifício pequeno para afastá-las com os dedos, permitindo assim a retirada do bebê. Consequentemente lesamos menos nervos e vasos e isso causa menos sangramentos e traumas ao organismo da mulher'', explica o ginecologista.
Uma cesariana que leva em média uma hora pode ser feita em até 30 minutos usando a técnica adotada por Kobayashi. ''No método antigo, é preciso cortar cada camada do corpo, da pele até o útero, separadamente e depois suturar cada uma delas individualmente, o que leva muito tempo. Como na Misgav apenas três camadas são cortadas, o tempo para fazer toda a operação é bem menor. As demais partes do corpo são apenas aproximadas e se regeneram sozinhas'', afirma.
Vantagens Como essa técnica agride menos, os riscos de inflamações diminuem e a recuperação da mulher acontece de forma mais rápida. ''O incômodo do pós-parto é menor, a quantia de analgésicos e material cirúrgico também é mínima. A paciente consegue voltar a se alimentar e a fazer suas atividades diárias leves mais cedo. Já a internação acaba sendo a mesma, de dois dias e meio, por causa do bebê, que precisa ser acompanhado'', explica o ginecologista.
De acordo com Kobayashi, não há restrições para o uso da Misgav os planos de saúde e o Sistema Único de Saúde (SUS) bancam o procedimento. ''Qualquer mulher pode se submeter à cirurgia, independentemente de idade e de ter realizado outros partos, normais ou cesárias. O tamanho do bebê ou sua posição também não influenciam na escolha. Mas existem situações em que a Misgav não é a melhor opção. O médico deve avaliar cada caso no momento da cirurgia'', garante.

mockup