Jantar sofisticado não inclui cerveja... Essa premissa, que com variações na forma aparece em discursos empolados, está com o prazo de validade vencido. Chefs e restauranteurs abriram espaço no menu para louras e escuras muito especiais. E para não fazer feio diante das geladas montam cardápios harmonizados como só ocorria com vinhos.
A chef Roberta Sudbrack é uma das que aderiram ao 'corpo' que só o malte e o lúpulo proporcionam. No restaurante que leva seu nome, no Jardim Botânico, (RJ), junto à carta de vinhos chega à mesa a carta de cervejas. A seleção inclui as importadas, claro, mas as que brilham mesmo são as nacionais artesanais.
''Eu adoro cerveja, especialmente as mais encorpadas. Então, quis montar uma carta e brincar com as características de cada uma delas. No Mesa Única (jantar às sextas e aos sábados em que ela prepara de 12 a 14 pratos) cerca de 15 pessoas harmonizam com vinhos e umas três, com cerveja'', conta Roberta, que na sua procura por boas brasileiras descobriu que o gosto pela cevada é genético. ''Um primo meu é produtor da Eisenbahn e eu não sabia. Esse encontro foi ótimo porque ele acabou me apresentando muita gente do mundo da cerveja.''
Roberta, que preparou oito pratos para serem combinados com as cervejas escolhidas pelo mestre-cervejeiro Garrett Oliver, conta que a bebida pode substituir o vinho com algumas vantagens. ''Ela combina com sabores ácidos numa boa'', diz.
O engenheiro-cervejeiro André Nothaft, que assina a apresentação do livro ''Cerveja, Guia de Estilos'', e também fórmulas de cervejas indevassáveis, endossa a opinião da chef. ''O vinho não combina com pratos com alho, limão, vinagre e chocolate. Já a cerveja vai muito bem com esses sabores. Por ser um apreciador de vinho, fico muito à vontade para dizer que se pode, com muito sucesso, servir um belo jantar substituindo o vinho pela cerveja ou oferecendo os dois. Um exemplo? Um cevice, marinado de peixe em limão, ou um vinagrete de frutos do mar pode se sair muito melhor se for acompanhado de cervejas do tipo amber ou bock. Elas têm estrutura mediana e muito bom corpo. Mantêm o frescor sem que o limão ou o vinagre agridam a cerveja'', diz André, defendendo a bock, que nos trópicos ficou associada ao inverno. ''Por ser mais encorpada, os profissionais de marketing das cervejarias venderam a idéia de que seria uma bebida para ser consumida em mais quantidade no frio. Mas não é nada disso. Independentemente da estação, a bock é uma cerveja que deve ser consumida em menor quantidade, acompanhando uma entrada, por exemplo.

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