Celso Mattos
As mudanças nas relações de trabalho se tornaram mais intensas a partir do início dos anos 90. Vários fatores contribuiram para isso, mas os principais foram a globalização da economia, a dissiminação da informática e a competitividade. O mercado de trabalho passou a exigir estruturas reduzidas, profissionais flexíveis e o fim das grandes corporações. Muitas empresas desativaram suas filiais, preferindo optar pelos chamados escritórios virtuais, um serviço que surgiu no Brasil no começo desta década.
Oferecendo economia, praticidade e comodidade a empresários, executivos e profissionais liberais, os escritórios virtuais foram se modernizando e, hoje, são mais conhecidos como escritórios de conveniência ou centros de negócios. No Brasil, eles estão espalhados por 31 cidades, concentrando-se em maior número nos grandes centros. Em Londrina existe há quatro anos a Domicilii, primeiro escritório virtual criado no Paraná. Com uma estrutura de cinco salas executivas, uma sala de reunião e uma de treinamento equipadas com TV, vídeo, fax, Internet e serviços de secretaria, a Domicilii se tornou um Centro de Negócios. No Paraná, além de Londrina, esse serviço é oferecido em Curitiba, Cianorte e, em breve, Foz do Iguaçu.
Home-offices ‘‘No ínicio, nós atendíamos mais consultores, executivos e empresários que usavam nossa estrutura para fazer reuniões e treinamentos. Mas nos últimos anos, a demanda aumentou porque muitos profissionais liberais como advogados, psicólogos, engenheiros e arquitetos, por questão de economia, desativaram seus escritórios particulares e passaram a usar os nossos serviços’’, informa Leslie Adriano, proprietária da Domicilii e presidente da Associação Nacional dos Centros de Negócio (ANCN). ‘‘Geralmente, esses profissionais são home-offices. Trabalham em casa, mas na hora de atender um cliente preferem um ambiente mais apropriado’’, acrescenta.
Paulo Wolfgang‘‘Pessoas que trabalham em casa usam nosso espaço para atender clientes’’, diz Leslie Adriano, da DomiciliiLeslie Adriano explica que os escritórios de conveniência surgiram nos Estados Unidos nos anos 70, mas no Brasil eles apareceram no fim dos anos 80. ‘‘Os primeiros foram montados por empresas estrangeiras, mas não deu certo porque o atendimento era muito americanizado. Ao contrário do executivo americano, o brasileiro não gosta de sair da sala de reunião e ir até uma máquina para se servir de um cafezinho. Foi então que o Brasil entrou no mercado, impondo seu estilo de atendimento’’. Ela considera que pela dimensão do País, existem poucas cidades que oferecem esse serviço. ‘‘Mas a tendência é aumentar. No início do ano eram 25, agora já são 31 cidades’’, contabiliza.
Comodidade Os escritórios de conveniência estão interligados através da Associação Nacional de Centros de Negócios (ANCN). ‘‘Isso facilita nosso atendimento ao cliente. Se um executivo londrinense vai viajar para São Paulo ou Rio de Janeiro e precisa de uma estrutura para trabalhar, nós fazemos a reserva aqui, especificando tudo o que ele vai precisar enquanto estiver lá. É semelhante a uma reserva de hotel’’, compara Leslie Adriano. A ANCN também tem convênios internacionais com centros de negócios nos Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Chile, Portugal e Argentina, facilitando o atendimento ao cliente nesses países.
Para que uma empresa possa contar com os serviços dos escritórios de conviniência nas 31 cidades, ela precisa pagar, em média, uma taxa domícilio de R$ 150,00 a R$ 200,00 por mês para cada escritório. ‘‘Esse valor lhe dá direito a usar o endereço físico e eletrônico para enviar e receber correspondência, recebimento de ligações telefônicas e retorno dos recados. Já o serviço de secretariado, office-boy, copa e uso do espaço físico e equipamentos como fax, Internet e telefone é cobrado por hora’’, específica Leslie Adriano.
Totalizando os valores, para que uma empresa tenha uma espécie de filial em 31 cidades, ela gastaria em média R$ 5 mil reais por mês. ‘‘Pode até parecer muito, mas para montar uma estrutura apenas em São Paulo, uma empresa gastaria, no mínimo, o dobro. Além disso, ela teria a responsabilidade de administrar essa estrutura, o que não acontece com os escritórios de conviniência’’, afirma. Porém, se a empresa preferir, ela pode escolher de acordo com seus interesses em qual dessas cidades ela quer contar com esse serviço.
Paulo WolfgangHyléa Ferraz, diretora da Associação de Canto Lírico do Norte do Paraná, usa esse tipo de serviço há três anosEm Londrina, a taxa domícilio cobrada pela Domicilii é de R$ 60,00 mensais. ‘‘Por esse valor, profissionais liberais, executivos e empresas podem usar o endereço físico e eletrônico para correspodência, recebimento de ligações e retorno de recados. A secretária recebe os telefonemas, anota os recados e transmite para o interessado. Os demais serviços são cobrados à parte e por hora de uso’’, informa Leslie Adriano, ressaltando que muitas empresas de São Paulo, que tinham filiais aqui, desativaram a estrutura e passaram a usar a Domicilli como ponto de referência local.
Serviço: Londrina: Domicilii (43) 324-8983, Curitiba: Voxy (41) 252-5589 e Office Set – 225-7575 e Cianorte: Escritório de Conveniência (44) 723-2099.Os escritórios de conveniência estão se popularizando no Brasil, mudando conceitos e relações de trabalho
Paulo Wolfgang‘‘O escritório de conveniência oferece todas as condições de um particular, porém com menos custos’’, diz o advogado Adriano Brito de FariaPaulo Wolfgang‘‘Não preciso me preocupar com questões administrativas’’, afirma o empresário Deodato Tanus

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