Cenário fashion
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Karla Matida 
A semana de moda do MorumbiFashion Brasil em São Paulo, no Parque do Ibirapuera, movimentou o mês de fevereiro. Não era para menos, afinal, foi investido 1,5 milhão de dólares para sete dias de desfiles de 19 das mais importantes grifes nacionais. E os números não páram por aí: 800 jornalistas (entre editores, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas) foram credenciados para cobrir o evento, que mostrou cerca de dois mil looks com tendências para o outono-inverno brasileiro. Pelas três salas de desfiles, com capacidade para 1.000, 1.200 e 1.500 pessoas, passaram 150 modelos e cerca de 50 convidados especiais (entre atores, fotógrafos e até mesmo os três netos do pintor Lasar Segall, o homenageado).
Entre tantos números, sempre sobra espaço para o surgimento de personagens. Aliás, do motorista da van ao top internacional, todo mundo tem sempre uma história para contar ou um jeito de marcar presença. É só pescá-los na multidão.
Fotos: Karla MatidaPara os acostumados a receber panfletos, brindes e revistas de mocinhas bonitas e simpáticas, Fernando Medeiros deu o tom diferenciado à última edição do MorumbiFashion. Na divulgação do World Fashion - revista diária entregue gratuitamente nos dias de desfiles -, Medeiros e outros dois rapazes marcaram a presença masculina na equipe de entregadores. Hoje, homens e mulheres estão em igualdade e podem fazer o mesmo serviço, diz Medeiros. Mas nós podemos ter uma abrangência maior, por causa da agilidade com o peso das revistas, disse Fernando Medeiros. Sem contar a atenção maior do público feminino. Cerca de 2.000 exemplares da revista WF foram distribuídos diariamente durante os desfiles da coleção outono-inverno.
Novidade na IV edição do MorumbiFashion, os patins do produtor executivo Rodrigo Matos não passaram despercebidos pelos participantes do evento. Faço tudo o que os outros fazem, só que mais rápido, diz Rodrigo, referindo-se aos sem-patins que gastaram a sola dos sapatos no Pavilhão da Bienal. A idéia surgiu no primeiro dia em que estive aqui, um mês e meio atrás, explica Rodrigo, que trabalhou na equipe de Graça Borges na produção do evento. Vi que o espaço era muito grande e o chão legal para os patins. A experiência de um ano e meio patinando deu agilidade para Rodrigo subir e descer escadas tranquilamente e solucionar os problemas de última hora.
O modelo Ivan Abujamra foi uma das presenças mais esperadas do MorumbiFashion. Tudo por conta da recém-conquistada fama nas passarelas internacionais e dos conselhos do estilista Karl Lagerfeld, que o avisou para não fazer musculação. O sucesso por aqui pode ser comprovado em números: foram 10 participações em 19 desfiles programados (além do desfile Forum Collection, off-Morumbi). Por quê? Para Ivan, a explicação é que o o sucesso está vindo de fora. Quando rola é porque é o seu momento, explica Ivan, que disse ter passado um ano e meio com o book debaixo do braço pedindo emprego. Medidas? 1,90 m e 75 kg e o padrão de beleza que agora se exige também dos homens: magreza.
Acostumado a transportar gente famosa, Costábile Pierro é motorista de van há dois anos. Nesse tempo passaram pelo banco de sua perua, o grupo É o Tchan e o jogador de futebol Ronaldinho. Para provar o que diz, autógrafos de Carla Perez, Angélica e Ronaldinho pipocam em um caderno guardado com carinho. Entre as assinaturas, destaca-se a letra de Samira Campos, jornalista da RBS TV, que deixou seu autógrafo depois de uma das centenas de viagens entre o hotel e o Parque do Ibirapuera. Nos sete dias de desfiles, Costábile acredita ter rodado cerca de 100 quilômetros por dia, com a missão de transportar os jornalistas de fora para os locais de desfile. Engana-se quem pensa que na hora de vestir-se, a modelo Carolina Sá só pensa em moda, moda e moda. À frente do programa Moda Esporte Clube da MTV, a apresentadora disse que gosta de roupa confortável. Tenho vindo todos os dias ao Morumbi de jeans. Hoje, como estava quente quando sai do hotel, resolvi colocar este vestido, que por acaso é da Diesel, uma marca que eu gosto muito, e que eu comprei de segunda mão num brechó. Morando no Rio de Janeiro e trabalhando em São Paulo, Carolina diz que tem dois estilos diferentes para se vestir. Em terras paulistas, prefere jeans e camiseta Hering e no Rio, é minissaia e sandália, explica


