Cegueira sob controle
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de outubro de 2000
Angela Raizer Barbosa 
Dificuldades para ler, dirigir, assistir à tevê e até reconhecer as pessoas são os principais sintomas da Degeneração Macular Relacionada à Idade, conhecida também pela sigla DMRI. Frequentemente relacionada ao envelhecimento, a doença ocorre devido ao crescimento anormal dos vasos sanguíneos abaixo da mácula parte do olho responsável pela visão central resultando em baixa súbita da visão com distorção de imagem e principal causa de cegueira em pessoas acima de 60 anos nos países ocidentais. Atualmente, mais de 1 milhão de pessoas já apresenta a doença no Brasil, e a cada ano surgem 100 mil novos casos, que até agora não dispunham de tratamento eficaz.
Com a recente aprovação da Terapia Fotodinâmica pelo Ministério da Saúde, um novo alento chega aos portadores da doença. No Brasil, o tratamento foi pesquisado pela Escola Paulista de Medicina, no início do ano, e chega agora em Londrina, uma das primeiras cidades brasileiras a importar a terapia, que se utiliza de um medicamento fotosensibilizador (Verteporfirina) aplicado intravenosamente no paciente. Depois de circular pelo sistema vascular, a droga concentra-se nos vasos afetados do olho e é ativada por um laser que desencadeia a reação do medicamento, liberando exigênio ativo e promovendo o fechamento dos vasos doentes sem prejudicar os saudáveis, explica o médico oftamologista Marcelo Casella, que já utiliza essa terapia no Hospital de Olhos de Londrina (Hoftalon), equipado com tecnologia necessária para o tratamento.
Especialista em vitreoretina, Casella participou de cursos sobre Terapia Fotodinâmica em São Paulo e Los Angeles. Segundo ele, a aplicação do medicamento permite não só interromper o processo degenerativo e preservar a retina, mas, em cerca de 20% dos casos, também melhorar a visão do paciente, desde que a DMRI seja diagnosticada em seu estágio inicial. É importante lembrar que nenhum tratamento mostrou-se capaz de reverter totalmente os danos já causados pela doença, alerta Marcelo Casella, mas com essa nova terapia e um diagnóstico precoce a perda da visão será mínima, acrescenta.
Pesquisa As causas da Doença Macular Degenerativa Relacionada à Idade ainda são desconhecidas. No entanto, já se sabe que pessoas de olhos claros, fumantes e expostas à radiação solar são mais propensas em desenvolvê-la. Estima-se que no mundo existam 30 milhões de portadores de DMRI, comum em pessoas acima de 60 anos, chegando a atingir, em todas as suas formas, mais de 30% dos pacientes acima de 80 anos.
Até o surgimento do medicamento usado na Terapia Fotodinâmica, os tratamentos disponíveis pouco adiantavam, além de acarretarem uma série de efeitos colaterais. As primeiras pesquisas com o medicamento foram iniciadas há cerca de 10 anos nos Estados Unidos e Suíça. Após seu patenteamento pela Ciba Vision, há pouco mais de 2 anos, o produto passou a ser alvo de estudos no mundo todo. Já foi aprovado na Suíça, Canadá, Malta, União Européia e pelo rigoroso FDA nos Estados Unidos.
No Brasil, o medicamento foi utilizado inicialmente pelo oftalmologista Michel Eid Farah, pioneiro no tratamento no Brasil e coordenador da pesquisa na Escola Paulista de Medicina. Farah revela que, dos 60 pacientes submetidos à terapia, inclusive alguns vindos dos EUA e países da América Latina, cerca de 23% estabilizaram a visão, 17% melhoraram e 60% apresentaram expressiva diminuição do risco de perda da acuidade visual, revela o especialista.


