Enquanto muitas mulheres adiam ao máximo o projeto de ter filhos, colocando como prioridade a carreira, as realizações pessoais e a conquista de estabilidade financeira, outras lutam para realizar o sonho da maternidade, enfrentando toda espécie de dificuldades para ver o barrigão crescer.
Segundo o médico Renato Koike, especialista em reprodução assistida, o número de pacientes que busca ajuda para engravidar tem aumentado nos últimos anos. Na visão dele, a mudança é fruto do estilo de vida das mulheres contemporâneas. "As mulheres não querem apenas se formar, mas fazer cinco pós-graduações, comprar um apartamento, viajar, retardando o máximo possível a gestação. É comum atender pacientes que engravidam pela primeira vez aos 35 anos ou mais", conta.
Nessa faixa etária, explica o médico, a taxa de fertilidade feminina é reduzida porque a mulher passa a ovular menos, e assim diminuem as chances de engravidar naturalmente. "De modo geral, aos 25 anos de idade a ovulação ocorre uma vez ao mês, com média de 10 vezes ao ano. Depois dos 35, essa porcentagem cai. Além disso, quanto mais idade tiver a paciente, maiores são as chances de ter passado por infecções, períodos de estresse, consumo de álcool ou cigarro. Por isso, a recomendação médica é: se existe o plano de ter filhos, quanto antes melhor", ressalta Koike.

Investigação do problema
Para ter noção de quando buscar ajuda, a orientação é simples: se depois de um ano de tentativas o teste de gravidez continuar dando negativo, é hora de consultar um médico. Segundo Koike, o primeiro passo é procurar auxílio de um ginecologista, que vai orientar o casal sobre o que é possível fazer para que a gravidez ocorra de forma natural. Em caso de insucesso, o passo seguinte é consultar um especialista em infertilidade.
Alguns estudos apontam que cerca de 30% dos casais hoje podem apresentar algum tipo de dificuldade na hora de engravidar.

Tratamentos
A boa notícia para quem quer ser mãe é que a medicina dispõe de muitos tratamentos. Renato Koike destaca os quatro procedimentos conhecidos. O mais básico deles é a estimulação da ovulação com o uso de medicamentos – comprimidos e injetáveis.
Outro é feito por meio da estimulação da ovulação e do coito dirigido, que significa ter relações sexuais em período determinado (com dia e hora marcados).
O terceiro método combina a estimulação da ovulação com a inseminação artificial. O sêmen é preparado em laboratório e introduzido no útero por meio de uma sonda, com dia e horário definidos.
Já a fertilização in vitro vai envolver a estimulação da ovulação e a captação de óvulos da paciente por meio da ultrassonografia transvaginal. Um óvulo e um espermatozóide serão fertilizados em laboratório. Como antigamente os embriões eram guardados em provetas, acabaram sendo reconhecidos por este nome. No terceiro dia após a fertilização será feita a transferência de em­briões para o útero da mulher.
Segundo determinação da Anvisa, assinala Koike, abaixo dos 35 anos de idade, é permitido implantar no máximo dois embriões; dos 36 aos 39 anos, no máximo três; e acima dos 40 anos, no máximo quatro embriões. "A orientação da Anvisa objetiva diminuir a chance de ter gestação de múltiplos. É claro que a escolha do método vai depender do diagnóstico do casal.


Imagem ilustrativa da imagem Cegonha tardia
Lorena, de 6 meses, com a mãe, a dentista Sandra Vale, que passou por dois tratamentos de fertilização in vitro
Desistir jamais

Pouco tempo depois de se casar, a dentista Sandra Cristina Vale, 38 anos, e o marido, Alex, tentaram ter filhos. "Casamos em outubro, e em janeiro já havíamos decidido pela gravidez. Seis meses depois, sem sinais de gravidez, comecei e ficar preocupada".
Por orientação do ginecologista, o casal fez exames investigatórios e os resultados acusaram normalidade. Depois de dois anos, o casal resolveu procurar um especialista. "O primeiro médico diagnosticou endometriose. Como queríamos muito ter filhos, acabei operando e fizemos a fertilização in vitro, mas não deu certo", conta. O casal aguardou um ano até procurar outro especialista e acabaram e optando pela fertilização in vitro. Para estimular a ovulação, Sandra injetava a medicação ao redor do umbigo, com acompanhamento do médico. "Tive que parar de trabalhar". Com tanta expectativa em torno da gravidez, ela acabou fazendo dois exames de sangue para ter certeza de que estava grávida. Mesmo feliz com o resultado, suportou uma gestação sofrida. "Diariamente tomei injeções de progesterona, que doíam muito. Eram aplicadas pelo meu marido. Doía tanto que eu precisava fazer massagem ou compressas no local. Havia também a preocupação com a idade, já que a Lorena nasceu quando eu estava com 37 anos", conta. Apesar de todas as dificuldades por que passou para ser mãe, Sandra reconhece que o nascimento de Lorena, hoje com seis meses, é sonho realizado. "Ela nasceu um dia depois de nosso aniversário de casamento. Foi um presente maravilhoso. Acho que quem está vivendo uma situação parecida não deve desistir nunca. Tinha certeza que uma hora ia dar certo. A confiança em Deus também ajudou muito em todo o processo", diz ela. (E.S.)