Casados, eternos namorados
Casados, eternos namorados
Depois de muitos anos de convivência, alguns casais conseguem manter acesa a chama da paixão
Celina Alonso Az
Marcos NegriniJane Marie e Ivo Colletes: todo dia é Dia dos NamoradosNo primeiro mês de casados é assim: Querido, veja que tons cinzentos que estão tingindo o nosso céu que antes estava tão azul ... - É sim, meu anjo, o azul do céu se acanhou diante da beleza do nosso amor, querida. Depois de 20 anos de casamento, no mesmo lugar, a cena meio que se repete: Querido, você viu que céu está ficando cinza? - Claro, sua tonta, não tá vendo que vai chover? Pessimismo à parte, ainda tem gente que mesmo depois de anos de casados consegue manter o mesmo romantismo. E melhor, muitos ainda comemoram o Dia dos Namorados como se fosse o primeiro.
A odontopediatra Jane Marie Colletes, de Maringá, ainda se lembra do primeiro presente que ganhou do então colega de faculdade, hoje seu marido. Era um estojinho para fazer unhas numa caixinha de couro. O cirurgião-dentista Ivo Colletes, com quem Jane está casada há 28 anos, recebeu de presente uma malha de lã vermelha que guarda até hoje. Eles conservam o romantismo dos tempos de namoro, não deixando o casamento virar rotina. Os dois trabalham juntos em sua clínica, têm negócios juntos, filhos já casados e ainda se admiram, se respeitam muito. Gostamos de viajar sempre que é possível, adoramos dançar, jantar fora, isso quebra a rotina, diz Jane. Quem faz tudo para que seja sempre assim é ela, oberva o namorado apaixonado, que costuma trazer da chácara ramalhetes de violetas e flores do campo para a esposa. Não sou tão romântico assim. É que o romantismo dela é tão grande que eu acabo indo atrás, garante o marido. Ela diz que ainda se emociona quando escuta a música deles, Roberta, com Pepino Di Capri. Quando eles namoravam, nos tempos de faculdade, adoravam conversar nos bancos das praças de Curitiba, onde moravam. Para não perder o costume, Ivo comprou um banco igualzinho ao das praças colocou-o em sua clínica, em Maringá. Muitas vezes conversamos sentados nele. Jane Marie diz que não se presenteiam exatamente no dia 12 de junho, mas sempre que sentem vontade. Para eles, Dia dos Namorados é todo dia.
Arquivo PessoalMario e Josueni vivem um romance eterno e muito bem-humoradoCaixinha de chocolatesTércio e Judith Araujo também têm uma música que marcou o romance deles: Tigresa, de Caetano Veloso. Casados há 10 anos, dois filhos, eles fazem acrobacias para não perder o romantismo. Judith que é auxiliar de laboratório, trabalha o dia todo e fica com as crianças à noite. Ele trabalha de noite, na setor de compensação de um banco. Ela pede ajuda à sogra, à mãe, para que possam jantar sozinhos no Dia dos Namorados. Além de ser uma data tão linda, é o nosso dia porque foi quando eu o pedi em namoro, lembra Judith. Minhas amigas diziam que ele estava a fim de mim, mas que era tímido. Eu telefonei para ele e dei os parabéns pelo Dia dos Namorados. Ele deu uma risadinha e disse que ainda não tinha uma namorada, e eu arrisquei: Não tem porque não quer....olha eu aqui. Quando saí do trabalho, ele estava me esperando com uma caixinha de chocolates. E essa data, para a gente, é mais importante até que a do aniversário de casamento, que sempre comemoramos em família, afrima Judith Araújo.
Sinatra e rosas vermelhas Quem frequenta os grandes bailes da Cidade tem o prazer de assistir à cenas de um romance eterno. O médico cardiologista Mario Peixoto e sua esposa, Josueni, casados há mais de 30 anos, parecem ser sempre o par mais animado em qualquer festa. Eles dançam de rosto colado, caminham de mãos dadas pelo salão e se olham nos olhos com muita ternura. Dizem que esse é o segredo da jovialidade e de tanto bom humor do casal. Quando ele me viu pela primeira vez, num baile do Grande Hotel (hoje Hotel Bandeirantes), perguntou para um amigo: Quem é essa moça? Vou me casar com ela, conta Josueni. Ele sentou-se na nossa mesa e não saiu mais de perto de mim, lembra. Um ano depois estavam casados. Acho que o segredo é o respeito, a admiração que temos um pelo outro, diz ela, que hoje administra a clínica que tem com marido. O importante é respeitarmos a individualidade um do outro. Respeitamos os gostos diferentes. E conversamos muito, trocamos confidências, desabafamos, nunca nos fechamos nem nos isolamos quando os problemas aparecem, revela o cardiologista Mario Peixoto. É respeitando as diferenças que nós somos grandes companheiros, e estamos quase sempre juntos. Quando um viaja, o outro liga sempre com saudade, manda cartões postais com frases românticas, acrescenta ela. A tônica do nosso casamento é o companheirismo, a cumplicidade. Acho que é um romance eterno, diz Mario Peixoto.
Desde que começaram a namorar, Mario a presenteia com rosas vermelhas no Dia dos Namorados. Até meus quatro filhos já aguardam a chegada das rosas. Ele nunca se esqueceu. Acho que se um dia ele não mandar mais, nem sei o que eu vou sentir, diz a esposa romântica. Muitas vezes, ela espera o marido chegar do trabalho, colocando para tocar um dos muitos discos de Frank Sinatra. Ele adora. E logo ao entrar, me dá um beijo e sentamos para conversar. Já assistiram ao filme Casablanca dezenas de vezes, e sempre se emocionam na cena final. Adoram dançar ao som de Sinatra, Tony Bennett e Emílio Santiago. Sempre que podem viajam, passeiam de mãos dadas, saem para jantar, e dançam muito, abraçadinhos.





