Carinho extra
A história não é nova, e quem tem um animal de estimação já deve tê-la ouvido várias vezes. A família precisa viajar, mas quem vai cuidar do bichinho? Na maioria das vezes, a tarefa era destinada a um vizinho ou parente próximo. A novidade é que as pessoas estão descobrindo, cada vez mais, os serviços profissionais.
Todo mundo vai sair em férias e nem todos os hotéis recebem animais. Então, por que não hospedar o cãozinho ou o gatinho num hotel próprio? Em Londrina, Raquel Moretto achou que a idéia valia a pena e abriu, há cerca de quatro anos, o Canil Petit Pom Pom. ‘‘Mas só agora é que as pessoas estão descobrindo essa facilidade’’, conta. ‘‘Elas estão percebendo que a economia de se deixar o animal com um vizinho ou parente não compensa’’, lembra Raquel, que cita histórias de animais que acabam fugindo quando estão longe do dono.
O hotel para animais também serve como ‘‘opção para quem está reformando a casa ou vai receber um parente alérgico’’, diz Raquel. Além disso, a idéia é também hospedar fêmeas no cio. ‘‘É um incoveniente para o dono aguentar um bando de cachorros no portão’’, explica.
A diária custa de R$ 7,00 a R$ 10,00, dependendo do tamanho do animal. O preço inclui alimentação, baia individual, banho na chegada e saída e muito carinho. No cardápio, ração seca, água e uma dose especial à tarde, com carne de frango. Para os ‘‘marinheiros de primeira viagem’’, Raquel pede que tragam ‘‘um objeto de casa, pode ser um brinquedinho ou a caminha, para servir como referência ao animal’’. Ou então, ‘‘uma camiseta com o cheiro do dono, para ficar junto do bichinho’’.
BicoOutra opção para quem vai viajar são as ‘‘babás’’ de animais. As irmãs Marcia e Marina Shimada, que há cerca de dois anos trabalham como ‘‘cat e dog sitters’’, não têm conhecimento de outras ‘‘colegas de trabalho’’ na cidade. Estudantes de veterinária, as irmãs conheceram a professora Lélia na sala de aula, que deu a dica. ‘‘A idéia de babá de animais foi dela’’, contam Marcia e Marina. ‘‘Nem passava pelas nossa cabeça ter um trabalho assim’’, diz Marina. ‘‘Agora, aproveitamos as férias e as horas vagas para isso, mas já temos planos para o futuro, de, quem sabe, montar uma empresa.’’
As irmãs costumam seguir a mesma rotina de cuidados dos donos dos animais. ‘‘Continuando no mesmo ambiente, o animal não sente tanta falta do dono, e nem fica estressado. Mas tem que gostar muito de animais’’, garantem elas, que ainda dividem o carinho com os nove cachorros, sete coelhos, alguns gatos e até um cavalo que têm no sítio onde moram.
Além dos estudos, do trabalho de ‘‘babás’’, as irmãs ainda encontram tempo para um projeto especial de doação de animais. ‘‘Nós já pegamos alguns animais na rua, que, depois de tratados foram adotados por amigos’’. O trabalho das duas é uma extensão caseira do projeto do Hospital Veterinário da UEL, que tem tratado de animais de rua para depois doá-los à comunidade. Marcia, que também participa do projeto da UEL, conta que ‘‘o trabalho tem o objetivo de controle da natalidade’’. Todos os animais são castrados, ‘‘o que evita a superpopulação’’, diz.

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