A alimentação dos cristãos que relembram o dia em que Cristo foi crucificado é especial durante a Sexta-Feira Santa. A data é celebrada com jejum, vigília e algumas privações, entre elas a de comer carne. Os mais devotos optam por peixes ou frutos do mar para as tradicionais ceias que reúnem toda a família e celebram a Páscoa. A escolha e o preparo dos pescados, no entanto, exigem alguns cuidados essenciais para evitar o risco de contaminação, alerta o biomédico e consultor Roberto Martins Figueiredo, um dos principais especialista do País em higiene de alimentos.
As dicas são simples e evitam as Doenças Veiculadas por Alimentos (DVAs). Como regra geral, os peixes de água doce devem ter cheiro fresco e limpo, enquanto os de água salgada devem cheirar a mar. Note se as guelras estão limpas (sem limo), vermelhas e brilhantes e se o corpo está firme, liso (sem 'machucados') e rígido. Atente também à pele, que deve estar com as escamas intactas, brilhantes, e úmidas. ''Não compre peixe com olhos opacos, secos ou murchos. Escolha aqueles que têm este órgão inteiro, brilhante e saliente'', recomenda o biomédico.
Para quem vai optar pelo bacalhau, característico deste dia santo, deve comprá-lo bem seco e totalmente coberto com sal. ''Cuidado com a presença de manchas vermelhas ou de pontos pretos de bolores, pois são sinais que indicam contaminação'', adverte Figueiredo. Já aqueles que preferem os frutos do mar, como lagostas e caranguejos, devem escolher os mais ativos e pesados em relação ao seu tamanho se estiverem vivos. Se comprá-los mortos, verifique se a casca está inteira e as garras intactas. Os camarões têm que estar com a carne rígida, com a cabeça e a casca presas, rosa ou cinza-claro.
Outra preocupação nesta época são os chocolates e ovos de Páscoa, caseiros ou industrializados. Essas delícias típicas oferecem baixos riscos de contaminação à saúde, mesmo com o costume de guardá-las por muito tempo. ''O chocolate é um produto demasiadamente seco e açucarado para permitir a proliferação das bactérias'', diz Roberto. Quando o doce permanece na geladeira, é comum que apareçam manchas brancas em sua superfície e não há nada de errado com isso. ''A imperfeição se deve à alteração de temperatura entre ambientes, fazendo com que a manteiga de cacau se deposite na superfície do chocolate, e não significa que o produto esteja estragado'', assegura.
O biomédico e consultor Roberto Martins Figueiredo é especializado em Saúde Pública e Marketing pela Fundação Getúlio Vargas e em Engenharia da Qualidade, Controle de Processos e Auditorias pela USP, Figueiredo é diretor técnico da Microbiotécnica, Centro de Assessoria em Higiene e Saneamento Ambiental, onde são realizadas pesquisas e análises de alimentos, utensílios e equipamentos, atendendo a indústrias de alimentos, cozinhas industriais e restaurantes. Além disso, é instrutor em cursos de pós-graduação da Universidade Tuiuti, no Paraná, e da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) e realiza diversas palestras e consultorias em supermercados, feiras e eventos de todo o país, com o objetivo de divulgar, esclarecer e desmistificar conhecimentos técnicos sobre a importância da higiene a todos aqueles que de algum modo os manipulam alimentos. n

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