É claro que, quando o assunto é amor, fica difícil estabelecer padrões de comportamento. ''Existem pessoas que gostam de conviver com os outros, fazer coisas sempre juntas e não tem traços de loucura. Faz parte da sua personalidade querer o outro sempre por perto'', lembra Ana Canosa, que enxerga na sociedade consumista algumas razões para o surgimento da relação-chiclete.
''Há em nossa cultura uma necessidade muito forte de consumir. Esse apelo diário da associação entre consumo e prazer faz com que as pessoas consumam as outras também, como se elas fossem uma promessa de redenção'', afirma a terapeuta. ''Com isso, elas não esperam para se conhecer melhor, não dão tempo para amadurecerem as questões que aparecem e acabam perdendo a noção das diferenças e das dificuldades que qualquer relacionamento enfrenta'', acredita.
Ana Cristina Canosa lembra que, quando depositamos no companheiro nossas expectativas de felicidade, passamos a acreditar que dependemos do outro para viver. ''Desta forma, as pessoas ficam mais sucetíveis a ter crises de ciúmes e fantasias de rejeição quando se deparam com os limites do cotidiano: separações temporárias por trabalho, manifestação de cansaço, demonstração de alegria na convivência com outros, que não o parceiro, etc.'', acredita a psicóloga.
O mundo das celebridades não foge a essa regra. Assim como estão expostos a flagrantes de carinho explícito, os casais também são surpreendidos em momentos de crise e bate-boca. E haja ponte-aérea para manter o enlace vistoso. Fica claro que, em qualquer relação, chega uma hora em que é preciso haver espaço para que o casal possa desfrutar de uma certa autonomia o que está longe de significar o fim do amor.
Classificar um casal que não se desgruda como ''chicle-te"'' pode dar indícios dos riscos desse tipo de relação. ''Quando começamos a mastigar, os chicletes são macios e saborosos, mas isso acaba rápido e é preciso ter cuidado para jogá-los fora'', diz Ana. Às vezes, o melhor mesmo é nem abrir a embalagem da guloseima.

mockup