Capacidade para enfrentar a vida
"Quanto mais a pessoa é saudável, mais ela procura a terapia. Quanto mais doente, mais ela é resistente, inclusive acreditando que é ela que está certa no mundo e os outros é que estão errados", explica a psicóloga Denise Tinoco, coordenadora do curso de psicologia da UniFil. "A psicoterapia serve para o autoconhecimento e pode ser feita em diversas abordagens. Eu trabalho com a psicanálise. O Freud já dizia lá atrás que onde há id (termo que ele usa para falar do nosso inconsciente) o ego (nosso princípio de realidade) deve estar. Então é muito importante que a gente conheça profundamente o nosso inconsciente", diz.
"Quando estamos cegos, podemos pensar em fazer algo e acabar fazendo outra coisa. Então é muito importante que a pessoa não ande às cegas na vida, que ela se conheça, até para que possa usar as suas potencialidades. Que tenha uma vida mais pautada no prazer e não no sofrimento. Não que ela não vá ter mais sofrimento, isso não existe. Mas que ela tenha mais condições de enfrentamento e que aprenda com as dificuldades e cresça. Para que ela possa viver melhor", ensina Denise.
"A gente sabe que 10% da população é resiliente, então 90% precisa de psicoterapia. Não que os outros 10% não precisem. Só que eles têm mais condições de enfrentamento da vida que os outros", explica a psicóloga Denise Tinoco. Com quase quatro décadas de profissão, a psicóloga vivenciou uma mudança grande nas patologias.
"Tem toda uma mudança na estrutura familiar e as pessoas vão mudando também. Na época do Freud, que passou a falar de psicanálise no final do século 19 e morreu em 1939, a grande patologia era a histeria porque existia uma sexualidade muito reprimida e culposa. E também havia muitos quadros depressivos", contextualiza.
Segundo a psicóloga, a partir das duas grandes guerras mundiais, principalmente depois da Segunda Guerra, as patologias mudaram muito. "Hoje há muitas pessoas borderliners, que ficam no limite entre a psicose, a neurose e a psicopatia. E muita depressão também, que aumentou muito. A psicopatia tem aumentado bastante. Os pais não dão limite para os filhos, até para compensar a ausência, então as crianças não formam direito o superego, que são os valores da cultura introjetada em nós. Daí tem muita delinquência, muita mentira", diz.
Denise Tinoco explica que, segundo Freud, tem saúde mental a pessoa que consegue trabalhar, se sustentar e fazer relações interpessoais duradouras. "Hoje sabemos que saúde mental é sinônimo de espontaneidade e flexibilidade, de capacidade de enfrentamento das situações difíceis, da capacidade de negociação entre as pessoas", pontua.






