Câncer de pele
Câncer de pele
A região sul do Brasil tem a maior incidência de câncer de pele do País. A maior parte de quem sofre deste mal possui pele clara ou se dedica ao trabalho agrícola
Francelino França
Arquivo FolhaO cirurgião plástico Walter Rossival Gomes Filho alerta: A forma mais eficaz de se combater o câncer de pele é não tomar sol de modo irresponsável, principalmente das 10 às 15 horasO câncer de pele é o crescimento excessivo e desordenado das células da pele. E, sem dúvida, o sol é o principal agente indutor deste tipo de câncer devido à radiação ultravioleta encontrada nos raios solares. O efeito dessa radiação é cumulativo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer de pele é o mais comum entre todos os tipos existentes, atingindo tanto homens quanto mulheres. De forma genérica, o câncer de pele, ou carcinoma, é o menos agressivo.
Na atual campanha de Prevenção e Detecção de Câncer da Pele, promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, estão sendo distribuídos folhetos explicativos sobre a doença e orientação às pessoas com pele, olhos e cabelos claros, de como se proteger. Aquelas que sempre se queimam e nunca se bronzeiam ou se bronzeiam com dificuldade também possuem maior probabilidade de adquirir o carcinoma.
A maioria das pessoas acometidas por esse mal é afetada pela exposição ocupacional. Trabalhadores do campo, vendedores ambulantes, pescadores, garis, jardineiros, marinheiros e operários da construção civil. Esportistas como nadadores, surfistas, montanhistas e jogadores de futebol também precisam de maiores cuidados. Aqueles que têm casos registrados na família devem redobrar a atenção.
A incidência de casos na região sul do Brasil é em função da imigração européia, principalmente alemães e italianos, que possuem pele clara e são menos resistentes à ação prejudicial do sol. Outro fator preponderante, que eleva esse número, é a economia agrícola. Quem trabalha na agricultura fica invariavelmente muito exposto ao sol.
Fotoenvelhecimento Nas pessoas de pele negra ou amarela são raríssimos os casos de câncer de pele, pois são naturalmente mais resistentes aos efeitos prejudiciais dos raios solares. A solução apontada pelos especialistas é não se expor excessivamente ao sol, principalmente das 10h às 15. Já o sol do início da manhã é saudável. O sol proporciona saúde, mas usado com moderação, nas horas certas. A exposição excessiva ao sol traz como malefícios, além do câncer, fotoenvelhecimento, manchas senis e lesões.
Melanoma e carcinoma
O carcinoma basocelular - CBC - corresponde a 80% dos casos de câncer. Surgem como lesões de bordas elevadas em forma de pérola e com o centro deprimido. É considerado o tipo menos agressivo.
O carcinoma espinocelular - CEC - é o segundo em frequência, correspondendo a 10% dos casos. São geralmente lesões ulceradas, de agressividade moderada.
O melanoma não é um tipo recorrente, representando apenas 2% dos casos. A agressividade desse tipo de câncer de pele é que preocupa, pois ele é responsável por 2/3 das mortes causadas por esse mal.
O carcionama por surgir em qualquer região do corpo, mas geralmente as áreas expostas ao sol - rosto, pescoço e braços - são mais frequentes. Apenas o melanoma não tem muita relação com o sol.
Para confirmar se o câncer é maligno ou benigno, o especialista faz uma biopsia para se certificar. A forma de tratamento que possui melhor indicação é a cirúrgica. As altíssimas chances de cura do câncer de pele elevam as estatísticas para perto de 95%.
ReproduçãoAo se expor ao sol, não esqueça o chapéu e o protetor solarComo o tratamento do câncer de pele, geralmente, é ambulatorial, ele pode ser realizado por oncologistas, dermatologistas e por cirurgiões em geral. No caso do cirurgião plástico, ele é procurado para tratar regiões mais nobres como o rosto. O cirurgião plástico Walter Rossival Gomes Filho afirma que, no caso do câncer de pele, a palavra fundamental é prevenção. No sol das 10h às 15h existe grande potencial de lesão de pele. A forma mais eficaz de se combater o câncer de pele é não tomar sol de modo irresponsável, alerta o médico.
Uma das formas de prevenção é examinar o corpo, procurando qualquer alteração nas manchas existentes ou o surgimento de alguma lesão. A proteção mecânica deve ser feita com roupas, chapéu e boné. Os protetores solares devem ser usados de acordo com o tom de pele e a numeração, que vai de 2 a 45.
Segundo Walter Rossival Gomes Filho, no caso de câncer de pele, a procura por um especialista é mais rápida do que em outros casos. Mas ele afirma também que isso depende do nível social da pessoa. Se os transtornos são maiores, quando o estágio é mais avançado, as estatísticas de cura também são menores.
Muitas pessoas se perguntam como um leigo pode detectar o aparecimento ou não de um câncer de pele. É bom observar manchas que surgem pelo corpo e que tenham tendência ao crescimento. Se doer, coçar ou sangrar deve-se procurar imediatamente um médico de confiança. O mais frequente é que seja um tumor benigno. Mas só um exame mais detalhado pode confirmar isso, afirma. Segundo ele, o diagnóstico precoce é uma medida importante de combate ao câncer.





