Caminhos diferentes para destinos comuns
Os caminhos que serão percorridos por crianças na situação de Camilly ou aquelas isoladas nos condomínios são certamente diferentes, mas segundo Henriette, terão o mesmo fim. ''Os universitários, que procuram os atendimentos psicológicos na universidade, totalmente desestruturados, geralmente vieram de pequenas cidades do interior, embora nem sempre sejam filhos de pais superprotetores. Conheço o atendimento de uma mulher que cresceu na cidade grande, mas debaixo das asas castrantes de uma mãe superprotetora. Ela teve grandes dificuldades em se colocar no mundo'', diz.
Odila explica como proteger sem castrar. ''É preciso às vezes deixar a criança correr certos riscos para que aprenda. A mãe pode repetir mil vezes que o fogo queima, sem sucesso. Mas se ela encostar o dedinho no forno quente certamente nunca mais repetirá o erro'', ensina. Isso vale para tudo. ''A proteção serve para evitar que ela se machuque seriamente ou comprometa o seu futuro com decisões erradas, mas nunca deve impedir que tome iniciativas''. Edimara aconselha diálogo. ''É o de sempre, mas ainda sim, essencial'', diz.
Ela alerta, no entanto, que se esse diálogo apresentar soluções prontas, ou esconder a verdade, terá o mesmo efeito dos alertas contra o fogo. ''É preciso apresentar o problema como ele é realmente, sem subterfúgios, incentivar a criança a refletir e encontrar sozinha a solução'', ensina. Mesmo que esta realidade envolva esquisitices ou comportamentos pouco recomendáveis dos pais, cenas dolorosas de pobreza e humilhação ou situações de extremo risco.
''A chave é a qualidade das relações afetivas e não as circunstâncias da vida'', acrescenta Odila. Para Henriette, o caminho é a luta contra tudo o que nos afasta de nossa condição humana. ''Saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos é o grande enigma humano e também a sua riqueza pelo imprevisto. Não há uma receita de sucesso como prega a mídia e acreditar nisso é negar nossa humanidade'', avisa. (L.P.)





