Camaleão fashion
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de março de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
A inspiração pode vir do campo, com referências ao look cowboy e às vestimentas regionais. Ou da cidade e suas misturas adoráveis e inusitadas. Cenas de ficção científica, atmosfera de romance literário, clima de suspense policial... Teve de tudo nos desfiles masculinos apresentados durante a temporada de lançamentos para o inverno 2004, no início deste ano. Permeando todas as linhas, o imbatível jeans provou, mais uma vez, seu poder camaleônico.
O tecido que vestia mineradores no final do século 19 e hoje frequenta todos os guarda-roupas dos mais abastados aos menos favorecidos , é presença constante nas coleções masculinas por um motivo óbvio: é dos itens mais vendáveis, tanto pela sua característica básica como, e acima de tudo, pela incrível capacidade de renovação.
Os diferentes visuais do jeans são obtidos graças à conjugação de vários processos: tingimento, estrutura, construção dos fios e, por fim, o trabalho de lavanderia, que dá os efeitos da moda como rugas, ''bigodes'' e jatos de tinta. Também é resultado da mistura das fibras do algodão com outros materiais, como poliéster, linho e elastano. É o que explica a gerente de marketing do setor de índigo da Vicunha, que nesta temporada lançou o NHX System: sem pilosidades e com aspecto mais refinado. Outras novidades da empresa vistas nas passarelas da São Paulo Fashion Week foram os tons esverdeados e uma gama especial de azuis, além de tecidos mais leves.
A paixão brasileira pelo jeans pode ser descrita também em números. O Brasil é o segundo maior produtor e o terceiro maior consumidor do produto no mundo. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), em 1997 eram produzidos 114 mil quilos de índigo no País. Em 2002, esse número saltou para 177.600. Confira aqui uma mostra da metamorfose fashion do velho índigo blue nas mãos dos melhores profissionais do Brasil.


