Uma comandante virtual informa aos participantes que estão no ano de 3015, em uma estação orbital de treinamento de guerreiros intergalácticos. Segundos depois, vem a mensagem de que a estação está sendo invadida. ''Vamos lá, guerreiros. A galáxia precisa de vocês'', diz ela. Assim começa uma sessão de Laser Shots, jogo criado na Austrália, que ganhou adeptos no Brasil.
O jogo entre duas equipes vestidas com coletes e pistolas a laser, dura de 13 a 30 minutos. Para não associar o Laser Shots à violência, nas sessões eles não matam o inimigo e, sim, o ''desativam'', não atiram, ''disparam'', ele não morre, é ''desativado''. .
A professora e coordenadora do laboratório de brinquedos e materiais pedagógicos da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Tizuko Morchida Kishimoto, não considera prejudiciais às crianças jogos tidos como violentos. ''É uma questão discutida no mundo todo, mas pesquisas não chegaram a nenhuma conclusão que comprovasse que quem brinca com arma vai se tornar uma pessoa violenta'', diz. ''O que torna uma criança violenta é a realidade e não a fantasia.''
Limites Ela ressalta ainda que brincadeiras que exigem estratégias, criam situações diferentes que fazem a criança pensar e envolvem disputas podem até aliviar o estresse e ajudá-las e ter equilíbrio emocional. No computador, elas mexem com o imaginário, melhoram as habilidades motoras e o poder de decisão rápida. O vício de ficar horas na frente de um micro, no entanto, não é uma atitude saudável, na opinião da educadora. ''A família deve impor limites. Em determinados momentos, a criança precisa correr, brincar ao ar livre. Em outros, é bom que ouça uma história ou leia um pouco''.
Segundo ela, é importante que os pais acompanhem esse processo, para que a criança não se concentre em um tipo de brincadeira apenas e perca a oportunidade de um desenvolvimento integral. Em atividades em grupo, por exemplo, elas aprendem a trabalhar em equipe, ter flexibilidade de conduta e espírito de cooperação. É importante envolvê-las sempre que possível na construção do brinquedo. ''Fazer uma pipa e depois colocá-la no ar traz uma grande alegria para a criança'', acrescenta.
Direito de brincar Os brinquedos, segundo ela, não precisam ser caros. ''Criança pode brincar com areia, terra, tintas, tecidos, legumes'', diz. ''O importante é que ela tenha o direito de brincar''. No lugar da rua, os clubes ou áreas de lazer em condomínios podem ser boas opções se as crianças tiverem oportunidade de brincar com outras de idades e perfis diferentes.
Levar a criança para o trabalho também pode ser uma experiência enriquecedora. ''Ela vai poder contar o que viu aos amigos e conseguirá entender melhor o que os pais fazem. Assim, se desenvolve do ponto de vista verbal e, com a vivência, terá mais criatividade para criar papéis em brincadeiras.''
''Brincar é uma necessidade fundamental, prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Em primeiro lugar, libera emoções positivas, promove a socialização e estimula todos os sentidos, além de mexer o corpo'', diz Marilena Flores Martins, vice-presidente da International Playground Association (IPA), que defende o direito da criança de brincar. ''Ela desenvolve a sociabilidade, a capacidade de se colocar no lugar do outro, características importantes nos dias de hoje. Quanto antes começarem a brincar, melhor''. n

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