Impossível ver um filhote, seja de cão ou gato, e não se encantar. Os olhos grandes, o corpo rechonchudo, o aspecto frágil e as brincadeiras parecem ser estudadas exatamente para fazer a gente se apaixonar por eles e decidir ser um feliz proprietário de um animal.
Mas a alegria inicial dura pouco. Com alguns dias morando em casa, os bichinhos se mostram verdadeiros devoradores de calçados e móveis, seres incapazes de obedecer a qualquer comando ou de usar o banheiro corretamente. Nesse momento, muitos donos abrem mão da companhia amiga de seu mascote por não suportarem a falta de controle sobre o animal.
Que não seja por isso. O adestramento é uma boa alternativa para quem quer investir num animal obediente, principalmente quando se trata de raças de grande porte. ''Dificilmente recebemos cães pequenos. A maioria dos clientes são pessoas que compraram animais de grande porte, especialmente os de guarda como pit bull e rotweiller, mas não querem que sejam agressivos. Ou então porque querem que o cachorro seja treinado para guarda, mas que não ataque sem necessidade'', diz o adestrador e proprietário do Canil Bottine, Jeferson Bottine.
Segundo ele, o adestramento ajuda bastante o dono a lidar com seu animal, porém, existem raças que aprendem mais do que outras. ''Dos cães maiores, o labrador e o pastor alemão dão ótimos resultados nas aulas. Dos menores, os mais fáceis de ensinar são o poddle e o beagle'', garante. ''Não é correto dizer que existem raças mais inteligentes. O que existe são animais que possuem um comportamento mais brincalhão e desatento, por isso precisam de mais tempo para ser ensinados'', completa a veterinária Daniela Luque de Souza Oliveira.
Durante o adestramento, o animal aprende os comandos básicos de sentar, deitar, dar a pata, andar na coleira e ficar parado em um lugar. ''São necessários entre três ou quatro meses de aula e o cão deve ser ensinado depois dos seis meses de idade. Já para ataque costumamos esperar até o animal completar oito meses porque até então ele ainda é um filhote, e muito brincalhão'', explica.
Como o animal precisa permanecer no canil para as aulas diárias, Jeferson revela que muitos donos não o mantém o tempo necessário de treinamento, o que compromete o resultado. ''As pessoas sentem falta do cachorro e acabam levando-o embora em um ou dois meses. Com isso, o animal acaba não obedecendo aos comandos corretamente'', diz. Para matar a saudade são permitidas visitas aos cães no canil.
Os donos também devem participar das aulas finais do adestramento. ''São cerca de seis aulas para que as pessoas entendam como devem se comunicar com o animal e os gestos que podem ser usados para dar os comandos'', afirma Bottine.
Além de ensinar, o adestramento, segundo ele, é importante para animais que possuem um instinto de guarda mais apurado, como o pit bull. ''Com o treinamento, o cão vai aprender a atacar somente quando necessário e obedecer o comando de soltar. Animais que atacam sem motivo provavelmente não foram adestrados ou, pior ainda, foram ensinados de forma errada. É comum as pessoas comprarem essas raças de cão exatamente por sua agressividade e incentivarem isso, mantendo o animal preso o tempo todo e não permitindo o contato com pessoas estranhas. Os cães se parecem muito com seus donos'', diz.
''Conheço pit bulls que são bastante dóceis porque foram criados em ambientes tranquilos e próximos de várias pessoas e outros animais. Surpreendentemente, os casos de ataque a pessoas acontecem muito mais com raças de pequeno porte, mas esses não são noticiados porque não têm grande efeito. Mesmo assim, é bom lembrar que quando se fala de cães de guarda, é fundamental ter cuidado, principalmente com as crianças. Isso porque alguns animais podem apresentar desvios de comportamento, principalmente aqueles resultantes de misturas de raças'', alerta a veterinária Daniela.

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