Cadê o aparelho que estava aqui?
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quinta-feira, 18 de maio de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Dizem as pesquisas que a popularidade de Tom Cruise anda caindo gradativamente. Mas ele, pelo jeito, não se incomoda com isso. Com o nascimento da caçulinha Suri e as boas bilheterias do seu último filme, Missão Impossível 3, o ator Tom Cruise anda rindo à toa. Um sorriso que há anos faz as fãs suspirarem e muitos marmanjos invejarem. Mas os mais observadores garantem que os dentes perfeitos não foram presente da natureza e, sim, de um tratamento sutil.
Diferente do sorriso metalizado tão comum nas crianças brasileiras, o astro de Hollywood optou pelas técnicas da ortodontia lingual, onde os braquetes (os tais ferrinhos) são fixados na parte interna dos dentes. De acordo com o ortodontista Paulo Shiratori, o aparelho ajudou Tom Cruise a corrigir um apinhamento inferior. ''Pedro Bial também usou'', garante Shiratori.
E foram as celebridades e pessoas públicas que inspiraram o surgimento da ortodontia lingual, criada nos Estados Unidos em 1975. ''Uma pin-up da Playboy foi a primeira paciente do Craven Kurz'', lembra Shiratori, adepto da técnica há dois anos. ''Os braquetes já estão na sétima geração e na versão atual são ainda mais polidos'', explica o ortodontista, que se prepara para conhecer a oitava geração do aparelho. ''O lançamento acontece em junho no congresso da área em Veneza (Itália)'', conta.
O ''boom'' dos aparelhos nos anos 1980 trouxe um descontrole nos anos 1990, quando houve uma parada. ''O insucesso se deu por conta dos erros de profissionais não-especializados'', explica o ortodontista, que fez cursos com o espanhol Pablo Echarri e o mexicano Aurelio Jano, dois experts no assunto. No Brasil, a ortodontia lingual é conduzida por 100 profissionais. ''No Paraná somos em cerca de 10'', diz Shiratori. Além de Londrina, ele atende também em Apucarana e Curitiba.
Mais caro que o tradicional, o ''aparelho invisível'' precisa de mais cuidados. ''O tempo de cadeira é bem maior e o ortodontista não tem como delegar funções para o auxiliar, como no tratamento tradicional'', explica Shiratori. Outra diferença é que os pacientes são todos adultos. ''Esta é a finalidade da ortodontia lingual atender adultos que não tiveram a oportunidade de usar aparelho quando crianças e que agora não querem se parecer com adolescentes'', relata.
Com as novas tecnologias, o tempo de uso do aparelho interno diminui. ''Antes era preciso um tempo 40% a 50% maior do que o tradicional'', explica Shiratori. Mas quem já se vê com um sorriso perfeito, precisa saber que há algumas contra-indicações. ''Mas são estudados caso a caso'', avisa o ortodontista, que conta com uma equipe formada por um dentista clínico geral e uma fonoaudiologia, que completam o tratamento.
Quem vê as fotos dos braquetes na parte interna dos dentes logo imagina um incômodo metalizado na língua. ''No primeiro mês, o paciente usa uma capa protetora de silicone para se acostumar. Trinta dias depois ele já está acostumado'', garante Shiratori. Os braquetes mais polidos também ajudam.


