Rosângela Vale
Todo mundo certamente já passou pela situação: precisa encontrar uma peça de roupa, um par de sapatos ou aquela louça que foi presente de casamento... e cadê? Vira e revira os armários e nada. Depois, quem é que tem ânimo (e tempo) para arrumar a bagunça que ficou? O jeito é ir empurrando, empilhando, jogando tudo num canto qualquer. Na próxima busca, a mesma novela... Chega uma hora que fica impossível conviver com tanta desordem. A solução é arregaçar as mangas, tirar férias do mundo e colocar tudo no lugar. Ou então contratar um profissional especializado em organização.
Londrina já conta com esse serviço. Motivada pelo exemplo de uma empresa de São Paulo, a ‘‘Help Home’’, Maria Aparecida Vilela Borges resolveu transformar em negócio aquilo que há tempos já fazia para as amigas mais próximas. Da despensa ao closet, da prataria e dos cristais às gavetas do banheiro, ela vai montando o quebra-cabeças da casa. ‘‘Acho um lugar para cada coisa’’, garante. Depois, passa as instruções de manutenção para a empregada, e com um pouquinho de disciplina, o cliente pode desfrutar da harmonia do lar doce lar por um longo tempo. O custo final vai depender do tamanho da bagunça. Maria Aparecida cobra R$ 50,00 por dia de trabalho (seis horas).
‘‘É como ter novos espaços, a casa parece outra’’, diz a arquiteta e empresária Silvana Hofig Ramos, que adorou a sensação de ver tudo na mais completa ordem. Ela garante que só mesmo o quarto das crianças não resistiu ao minucioso trabalho de Maria Aparecida, feito há três meses. Para Silvana, organização é uma necessidade da vida moderna. ‘‘Com tanta correria, as coisas devem estar apresentadas de tal forma para que a gente encontre o que deseja com mais rapidez’’, observa, recomendando o serviço aos profissionais que, como ela, são muito ocupados e também a recém-casados, recém-separados e até a donas de casa que não dominam o assunto. ‘‘Não é qualquer um que tem essa habilidade’’, reconhece.
Pois Maria Aparecida tem de sobra. E tem também, acima de tudo, gosto pelo que faz. Encarar uma casa – que nem é a própria – de pernas para o ar não é mesmo para qualquer um. Sua máxima é uma frase de Freud, que traz sempre na ponta da língua: ‘‘O trabalho é o que existe de mais perto da sanidade mental’’. Para ela, colocar ordem nas coisas não deixa de ser uma grande terapia. ‘‘Sou uma pessoa muito prática e perfeccionista’’, define-se. Muito elegante também. Vestir-se com bom gosto sempre foi uma de suas características mais marcantes. Isso conta pontos no seu trabalho, pois além da organização geral da casa, ela também faz assessoria de estilo e etiqueta.
Básicos e clássicos Tida, como é mais conhecida pelas amigas, flerta com a moda desde a época em que apresentava um programa feminino na extinta TV Vanguarda, há 20 anos. Ex-dona de confecção em Cornélio Procópio, sua grife ‘‘Roupa Nova’’, composta por peças finas e tecidos nobres, contava com dois pontos de venda em áreas nobres de São Paulo. ‘‘Sempre tive um feeling para distinguir o que é bom do que não tem qualidade. Não gosto de nada descartável, em todos os sentidos da vida’’.
Ao montar o guarda-roupa de uma cliente, portanto, Maria Aparecida privilegia os itens básicos e clássicos. ‘‘Toda mulher diz que não tem roupa, mas o armário sempre está cheio: metade das coisas não se usa mais; a outra metade está encostada por falta de peças para coordenar’’, explica. Segundo ela, guardar roupas para usá-las quando a tendência voltar é perda de tempo – e de espaço. ‘‘A moda volta reciclada, nunca igual, a começar pelos tecidos. Por isso, existem peças que precisam ser eliminadas’’, enfatiza.
As que passam pelo seu crivo vão para a reforma: uma ajustada aqui, outra ali, e a roupa fica nova. ‘‘Também oriento a compra de novas peças para combinar com as roupas que a cliente tem’’, explica. De acordo com ela, o segredo para não errar na hora de se vestir é ser fiel ao próprio estilo, que é a marca registrada de cada um. E isso não requer, obrigatoriamente, gastos homéricos.
‘‘A elegância está na pessoa e não na roupa’’, salienta ela, que foi aluna de colégio interno, costumava frequentar aulas de etiqueta na adolescência e hoje lamenta a atual falta de atenção a mandamentos básicos da boa educação. ‘‘Hoje, como tudo é menos rígido e mais liberal, os jovens acham que respeitar algumas regras é ser careta. Educação não tem moda nem época’’, argumenta, reprovando a má postura das garotas, a falta de modos à mesa e a indelicadeza dos homens, que deixaram de ceder lugar para as mulheres se sentarem. Para quem quiser deixar de cometer gafes e aprender de vez os segredos da elegância, Maria Aparecida dá o exemplo e a lição.
Serviço:
Assessoria em organização doméstica – fone: (43) 322-2031A casa está uma bagunça, falta ânimo ou tempo para arrumar? É só contratar uma assessoria especializada em organização doméstica
Paulo Wolfgang‘‘Sou uma pessoa muito prática e perfeccionista’’, define-se Maria Aparecida‘‘Hoje, com tanta correria, as coisas devem estar apresentadas de tal forma para que a gente encontre o que deseja com mais rapidez’’, diz a arquiteta e empresária Silvana Hofig Ramos

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