O londrinense Emílio Fernando do Amaral Rodrigues, mais conhecido pelo apelido de Zagaia, tem 29 anos e é formado em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Ao invés de encarar o rigor dos tribunais, Emílio preferiu a beleza e a liberdade das profundezas dos mares. Em 1998, depois de fazer um curso de mergulho em Bombinhas (SC), ele saiu da água e disse para a namorada: ‘‘É isso que eu quero para minha vida’’.
Ao voltar para Londrina, Emílio vendeu o carro e comprou uma passagem para a Austrália, paraíso dos mergulhadores. ‘‘Morei dois anos na cidade australiana de Cairns, onde pratiquei e estudei mergulho’’, conta. Para sobreviver, ele trabalhou de cortador de árvores, glasser (auxiliar de barman), pedreiro, entregador de pizza, instrutor de natação, colhedor de uva e baby-sitter.
Em 2000, Emílio voltou para o Brasil, onde fez um curso de instrutor de mergulho em Arraial do Cabo (RJ). ‘‘Depois, fiquei um ano em Londrina, ministrando curso de mergulho e, nesse período, certifiquei 50 novos mergulhadores na cidade’’, contabiliza.
Com o dinheiro que ganhou com as aulas, ele comprou uma passagem para a França. ‘‘Estava disposto a mergulhar naquele país e também aprender francês. Mas, 15 dias antes da viagem, conheci um instrutor de mergulho que havia acabado de chegar da Tailândia e me contou maravilhas sobre as ilhas tailandesas e as possibilidades de mergulho na Ásia. Troquei as passagens e fui para a Ilha de Koh Tao, na Tailândia’’, conta.
Sem conseguir emprego de instrutor nessa ilha, para sobreviver, ele deu aulas de mergulho para três brasileiras e um espanhol. ‘‘Durante o tempo em que fiquei na Tailândia, conheci a praia onde foi rodado o filme ‘‘A Praia’’, com Leonardo DiCaprio’’. Nesse período, Emílio conheceu também um grupo de europeus que lhe falou das opções de mergulho na Malásia. ‘‘Foi então que peguei um night boat (barco noturno) e fui para a cidade de Kotha Baru e depois para a ilha de Perhetian, na Malásia. Cheguei lá às 14 horas e às 18 já estava empregado como instrutor no Spice Diver International Resort’’, lembra ele.
Quando terminou a temporada de mergulho na ilha, Emílio pegou suas malas e foi para Cingapura e, com o dinheiro que havia ganho durante os quatro meses que trabalhou no Spice Diver, comprou equipamentos para fazer um curso de vídeo subaquático. ‘‘Meu sonho é ser cinegrafista subaquático e fazer documentários sobre o fundo do mar’’. Em busca de seu sonho, Emílio foi para Chicago (EUA) fazer um curso de produção e edição de vídeo e ficou quatro meses morando com um amigo e trabalhando como garçom.
‘‘Cheguei em Chicago no dia 2 de setembro de 2001 e, no dia 11, aconteceram os atentados a Nova York e a Washington. O pior é que eu estava trabalhando de garçom em um restaurante palestino’’, recorda Emílio.

mockup