Quando ele escolhe alguma coisa, deixa tudo de lado e parte para uma busca obsessiva. Pesquisa na literatura, procura por antigas fábricas e vai, aos poucos, juntando peça após peça até encontrar o objeto tão desejado. Descrição melhor do perfil de um colecionador não poderia haver. Principalmente quando fornecida por alguém que tanto entende do assunto.
O diplomata italiano Guido Borgomanero, 77 anos, tem pelo menos 71 dedicados ao hábito de colecionar. E não é à toa que sua casa em Curitiba é um verdadeiro arquivo histórico. Em cada espaço, uma estante cuidadosamente organizada reserva grandes surpresas. Surpresas como uma tsantsa, cabeça humana mumificada pelos índios gívaros do Equador. Com ela, dividem a prateleira legítimos tesouros da cultura amazônica. Mas nada comparado à coleção de mais de quatro mil tipos diferentes de pedras e gemas.
Elas estão no jardim, nas paredes, nas mesas e em cada canto em que houver um espaço adequado, permitindo uma viagem pelas diferentes eras e solos da terra e até mesmo da lua. ‘‘Sabe o que é isso?’’, pergunta Borgomanero apontando uma de suas preciosidades. ‘‘Uma mostra de poeira lunar trazida pela Apolo XV. Consegui com a NASA. E estas são todas as pedras radioativas existentes na face da terra. Dá para imaginar?’’.
Marcelo AlmeidaO advogado Hugo de Barros Neto e a sua coleção ‘‘de bolso’’Não, realmente não dá. Mas é verdade. E o colecionador não só possui todas essas coisas como também conhece a história de cada uma delas, sem esquecer do mínimo detalhe. ‘‘Se fosse necessário escrever essas histórias, os 36 volumes da Enciclopédia Britânica não seriam suficientes.. Mas tudo aqui é catalogado, filmado e etiquetado’’.
Segredo mesmo é o valor da coleção, que Borgomero não revela de jeito nenhum. ‘‘Não tem valor financeiro. Tem valor histórico’’, diz ele. Mais ou menos a mesma explicação quando se pergunta como é feita a aquisição de uma peça. Basta pensar quanto custa a presa de um mamute vinda da Sibéria e datada de mais de 30 mil anos. Ou os ovos de dinossauro trazidos numa das viagens à França.
‘‘Minha casa não tem coisas banais. Você visita a casa de gente da classe alta e não encontra nada diferente. Eu simplesmente morreria numa casa como essa’’, completa Guido Borgomanero.Mauro Frasson‘‘Tudo aqui é catalogado, filmado e etiquetado’’, explica o diplomata Guido BorgomaneroVivian de Albuquerque

mockup