Brincar para aprender
Paula Rigonatti
Agência Estado
Algumas brincadeiras podem significar muito no desenvolvimento de uma criança. Desde contribuir para a coordenação motora até desenvolver a sociabilidade, trazendo muitas vantagens para a garotada. Aliadas aos estudos, algumas brincadeiras são indispensáveis dentro das atividades escolares e muito recomendadas por especialistas.
O construtivismo é uma das formas de ensino muito adotadas pelas escolas, creches e centros juvenis. De acordo com a assistente social paulista Naides Evangelista, que já dirigiu creches e centros juvenis, esta prática é uma das melhores formas de instruir por meio de brincadeiras. Costumamos contar histórias para que as crianças possam ter conhecimento sobre vários assuntos, diz. Nas festas juninas, por exemplo, aproveitamos para contar histórias do interior, de costumes de outras regiões e de folclore, exemplifica.
Dentro da teoria do construtivismo, os profissionais da educação acabam trabalhando brincadeira e cultura ao mesmo tempo. Nas refeições, muitas vezes fazemos teatros de fantoches, com bonecos caracterizados de alimentos, conta a assistente social. Assim, elas aprendem a importância de cada alimento, quais os benefícios para a saúde, onde e como eles são cultivados, a importância de comer alimentos coloridos. Isso acaba fazendo com que a criança deixe de virar a cara para determinadas comidas.
Profissões Dentro dessa forma de aprendizado destaca-se também o conhecimento de cada profissão com brincadeiras e o uso da sucata. A sucata faz com que a criança desenvolva o lado criativo, usando o raciocínio para criar coisas novas, projetos que ela idealiza. Isso é muito importante para que ela conheça seus limites e sua capacidade de concentração, analisa Naides.
Conhecer as profissões é uma atividade que muitos educadores utilizam. Usamos figuras, imagens, incentivamos as crianças a escolher uma profissão e a desenvolver a atividade escolhida, salienta. Com isso, a abrangência do estudo é bem maior, além do que existe interesse em aprender já que os temas são ensinados de maneira divertida e com a participação delas.
Já para a pedagoga Carla Santos, a preocupação com as brincadeiras adequadas está relacionada, principalmente, com a psicomotricidade, ou seja, coordenação motora. Brincadeiras com bolas, obstáculos, túneis e sucata são muito importantes, afirma. Qualquer objeto pode servir para a brincadeira. Usamos também a música, isso faz com que a criança entenda o que é ordem, além de ajudar na atenção, no limite, na disciplina e no respeito ao colega, quando as brincadeiras são com várias crianças juntas, acrescenta.
Brincadeiras coletivas, de acordo com a pedagoga, são de grande importância para aproximar crianças de outras e determinar espaços. É uma forma delas aprenderem a se relacionar com os outros, pois desenvolvem a sociabilidade.
Prestar atenção em como e com quem a criança brinca é outro item fundamental na educação através da brincadeira. De acordo com as atitudes e as brincadeiras dos filhos, os pais podem e conseguem detectar algum problema ou conflito pelo qual a criança está passando, sem que ela precise contar. A partir da brincadeira desenvolvida, a criança deixa passar a forma como ela vê determinadas situações, diz a psicóloga Cássia Neves. Quando a criança brinca, ela trabalha com todas as emoções: raiva, agressão, carinho, amor, entre outras.
Sobrecarga Para Cássia, brincar é muito sério para a criança. Ela tem que ter espaço e tempo para a brincadeira. Os pais, muitas vezes, sobrecarregam os filhos de atividades, como esportes, cursos de línguas, e esquecem que elas precisam de tempo para brincar, salienta a psicóloga. Quando as crianças não brincam e têm muita atividade, acabam ficando estressadas, agressivas e desmotivadas.
Dentro de um consultório, as atividades lúdicas são essenciais para que os profissionais possam detectar o que aflige ou o que se passa pela cabeça das crianças. Daí, mais um ponto positivo para os brinquedos.
O nosso trabalho com crianças é baseado em brinquedos e brincadeiras. Colocamos diante delas todos os brinquedos possíveis, dentro do que chamamos de Linha Freudiana de Caixa Lúdica, explica Cássia. Com esses brinquedos, entre eles muitos jogos de montar, elas vão criando situações e acabam contando histórias que, quase sempre, são as histórias que elas estão vivenciando tanto em casa quanto na escola. Assim, conseguimos determinar qual o problema que a criança está passando, afirma a psicóloga.Existem brincadeiras que podem contribuir para o desenvolvimento social, cultural e psicomotor da criança
Arquivo FolhaQualquer objeto, como uma mola, por exemplo, pode ser útil para uma brincadeira que ajuda a desenvolver a coordenação motora e a reflexãoArquivo FolhaO lego é um dos brinquedos que contribui para o desenvolvimento do raciocíno da criança





