Brincadeira traumática
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Da Redação 
Humilhar, zoar, isolar, perseguir, ofender, discriminar, bater... São muitas as atitudes que caracterizam o bullying, geralmente praticado em escolas. As vítimas desse comportamento podem sofrer alterações emocionais com sérias consequências por boa parte da vida, como recorda a escritora Camila Iuspa, 26 anos, que acaba de lançar um livro sobre o assunto.
"Fui para a escola achando que eu fosse fazer um monte de amigos e, no fim, não fiz nenhum. Só inimigos", relembra Camila Iuspa. Obrigada a lidar com o bullying quando era menor, ela confessa que este foi um período difícil que só superou com a ajuda de uma psicóloga. "Eu consegui porque expus o problema, e ela me deu algumas dicas, alguns caminhos, e eu fui seguindo", revela.
Sabendo como esse problema pode ser traumático para as pessoas, Camila resolveu escrever um livro que mostrasse exatamente como as vítimas se sentem. "Brincadeira de Mau Gosto" (Giostri Editora) surgiu de sua experiência e da vontade em ajudar os outros, já que via ao seu redor muitas pessoas passando pelo mesmo problema que teve de enfrentar.
A escritora sugere que o caminho mais fácil é não levar as ofensas e as provocações para o lado pessoal. O segredo está em duas palavras-chaves: autoestima e confiança. "Se, por exemplo, te chamam de algum apelido e você brinca, se distrai também, aí não é mais bullying. Agora, se você não gosta do apelido e tem algum complexo, isso pesa muito", explica.
Camila considera fundamentais as conversas entre pais e filhos, principalmente se as crianças apresentarem determinados traços na personalidade que possam transformá-las em vítimas. "Com os pais orientando, fica mais fácil enfrentar os problemas na escola, no dia a dia. A pessoa que sofre bullying tem de desenvolver sozinha as ferramentas e nem sempre consegue", alerta.
Embora muitos indivíduos sejam capazes de erguer a cabeça e superar o trauma do bullying, podem ficar algumas seqüelas. Ela recomenda procurar orientação de um terapeuta para, posteriormente, lembrar do que aconteceu e não se sentir machucado por aquilo. "É um aprendizado de vida", esclarece.
Sobre Camila
Alguns anos se passaram entre diários e contos que habitavam a gaveta da jovem Camila Iuspa até sua estreia com o suspense Veneno Metálico. Aos 26 anos, Camila faz sua segunda incursão no gênero de ficção infanto-juvenil e mostra que tem um caminho promissor à frente. Observadora, a jovem busca inspiração em músicas, livros e situações do cotidiano. Ela cursa a faculdade de Pedagogia e pretende publicar teses e livros técnicos, pois sua vivência em estágios nas escolas tem chamado sua atenção para a grande dificuldade que os professores vêm enfrentando nas salas de aula. www.camilaiuspa.com.br


