Brincadeira de gente grande
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Depois de cumprir a tarefa da escola, Beatriz de Souza Andrello, de 10 anos, corre para se dedicar ao hobby preferido. Na sala de casa, ela encontra a ferramenta que move sua imaginação: a velha máquina de costura, presente de sua avó.
Entre linhas e retalhos coloridos, a baixinha ganha ares de gente grande ao costurar as roupinhas de suas bonecas Barbie. Com as respostas na ponta da língua, Bia, como é chamada, logo justifica a paixão.
''Tudo começou depois de uma brincadeira com minha prima, quando eu tinha sete anos. A gente queria trocar as roupas das bonecas, mas não tínhamos opções. Naquele dia, começei a juntar uns retalhos e costurar a mão mesmo'', conta ela, que seguiu as dicas da avó para dar os primeiros pontos e, principalmente, para não se machucar com as agulhas.
Com os panos espalhados sobre a máquina de costura, Bia conta que não precisa buscar inspiração na televisão ou em revistas. Segundo ela, para criar os modelitos basta ter uma ''boa ideia na cabeça''. O que já é um bom começo para a menina, que sonha em ser uma estilista famosa. ''Faço saias, tops, vestidos tomara que caia e até modelos diferentes golas'', conta, orgulhosa.
Para a mãe, Adriana Andrello, a atividade exercida pela filha é uma boa forma de ela desenvolver o lado criativo. ''Em nenhum momento isso é encarado como uma obrigação. Incentivamos da melhor forma, arrumando retalhos e, de vez em quando, a levamos a alguns ateliês de noivas. Ela adora'', revela.
Ao observar a filha se divertindo na confecção de modelos ''exclusivos'' para as bonecas, Adriana se surpreende com a habilidade, ao mesmo tempo em que se contenta em saber que, ao contrário de muitas meninas da mesma idade, Bia mantém desejos de menininha, mesmo executando trabalho de gente grande.
Comidinhas e muita diversão
A cozinha sempre foi uma das áreas mais gostosas da casa dos avós. Dela saem as comidas mais deliciosas e as lembranças mais ''recheadas'' da infância. Pelo menos, assim será para as primas Laís e Cecília Rosa, de 10 e 7 anos. Acostumadas à casa da avó, Lourdes da Silva Rosa, as meninas encontram na cozinha os instrumentos necessários para seus ''experimentos''. ''Enquanto faço o almoço, deixo elas brincarem com farinha, fubá, arroz, feijão'', conta ela. Ao ao ser questionada sobre a bagunça, Lourdes diz não se importar. ''Sou uma avó boazinha'', brinca.
E além de cuidar das panelas, dona Lourdes não desgruda os olhos das crianças para evitar qualquer tipo de acidente, mesmo sabendo que as meninas já sabem muito bem que, chegar perto do fogão, nem pensar. Muito menos mexer em objetos cortantes. Tudo tem de ter a permissão da vovó.
Além de boa companhia, Cecília se mostra uma ajudante de mão cheia. Ela garante que amassar o pão e empanar o bife só não é mais prazeroso do que comê-lo depois de pronto. ''Fica gostoso e é divertido'', comenta.
Entre tantas receitas, Cecília e Laís aprenderam a preparar um macarrão que é cozido dentro da salsicha no molho vermelho, que leva também milho e batata palha. ''É quase igual a um cachorro-quente'', conta Laís, enquanto mostra o trabalho feito por elas.
Segundo a avó Lourdes, o processo é bem simples: ''Eu faço o molho vermelho e elas me ajudam espetando o macarrão na salsicha. É bom porque depois elas comem com mais gosto ainda'', conta.


