Nadar, correr, andar de bicicleta, praticar lutas marciais, jogar futebol, basquete, tênis. O que há muito tempo era praticamente proibido para as mulheres, e depois passou a ser atividade de lazer, agora é encarado como profissão e levado muito a sério pelas atletas. Prova disso é o número de mulheres na equipe brasileira que foi para as últimas Olimpíadas, em Atenas: 122, contra 125 homens.
Engana-se quem pensa que as nossas representantes se limitaram aos esportes tipicamente femininos, como nado sincronizado e ginástica rítmica. Ignorando o título de sexo frágil, elas se aventuraram também no judô, no tae kwon do, no futebol, onde trouxeram a medalha de prata, e até no tiro ao alvo. Nas academias e centros de treinamento, o número de mulheres que buscam no esporte uma profissão e a realização do sonho de competir aumenta a cada dia. ''Muitas delas procuram o esporte só para ficar com o corpo em forma, mas eu gosto mesmo é de competir'', diz a triatleta Mônica Ferreira da Silva, 26 anos, dois deles dedicados ao triatlon.
Perigos Mas antes de iniciar uma atividade física, é importante avaliar alguns aspectos. Segundo o médico do esporte e ortopedista Wilson Galego Campos, o corpo feminino apresenta algumas diferenças anatômicas e fisiológicas que podem trazer complicações para aquelas que exageram nos treinamentos. ''Além das questões hormonal e nutricional, que na mulher são mais irregulares e podem resultar em mais fraturas, existe também a estrutura física, que leva a um número maior de lesões quando determinadas partes do corpo são muito exigidas'', afirma.
Nas pernas o problema está na formação dos joelhos femininos. O especialista explica que, diferente dos homens, a mulher tem mais tendência a desenvolver joelhos valgos, aqueles em que a perna fica mais curvada para fora. ''Isso faz com que o joelho fique fora de sua linha ideal. Junte a isso o fato das mulheres terem uma musculatura mais frágil, que não protege tanto essa região, e as lesões nos joelhos e luxações de rótula acabam sendo mais frequentes'', explica.
Nos braços, é a falta de força muscular a responsável por problemas nos ombros, cotovelos e punhos. Por isso, o médico não aconselha para as mulheres o abuso na musculação nestas regiões, bem como a prática de esportes como o boxe. ''Em atividades de luta corporal, a mulher tem uma facilidade maior de se machucar'', justifica. Que o diga a atleta de tae kwon-do Renata Pereira, 24 anos. Ela começou a treinar com 12 anos para se livrar de uma bronquite asmática, já participou de vários campeonatos internacionais e está proibida de viajar para o Mundial da Espanha por um problema nos joelhos. ''Durante os treinos não tem tanto problema, mas nas lutas a gente sempre sai com algum machucado'', garante.
Desvio de coluna Outra parte do corpo que as mulheres precisam estar atentas quando resolvem fazer atividade física é a coluna. ''Principalmente durante o período de crescimento a mulher cresce muito rápido o esporte sem acompanhamento adequado pode trazer problemas de desvios na coluna. Atividades assimétricas, que exigem mais de um lado do corpo, como o tênis, também podem causar problemas. Depois da menopausa, os cuidados devem ser maiores por causa da osteoporose e o risco de fraturas'', garante.
Mas nem os riscos impedem que as atletas se dediquem ao esporte do coração. ''Sempre pratiquei esportes. Fui bailarina por 12 anos e agora, além de treinar, também dou aulas em academia. Não penso em parar porque para mim, quando estou andando de bibicleta ou nadando, eu esqueço tudo. Para mim é muito relaxante'', diz Mônica. ''Gosto das artes marciais pela questão da disciplina e dos movimentos, que acho bonitos. Tenho uma rotina bastante diferentes das pessoas da minha idade. Preciso cuidar da alimentação, do sono, mas o esporte é minha profissão e minha vida'', comenta Renata.
Para o médico, os problemas não significam que as mulheres não possam praticar esportes ou se tornarem atletas, mas sim que os cuidados devem ser maiores. ''Infelizmente pouco se estudou sobre os esportes para as mulheres. Sabemos algumas coisas e, por isso, é importante o acompanhamento de um médico especializado na área para evitar que os problemas apareçam'', aconselha.

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