Braspérola lança couro vegetal
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Edilson Coelho Agência Estado 
Preocupada em conduzir suas operações em defesa da ecologia, no terceiro milênio, a Braspérola, que tem na produção de linho a parte mais vísivel dos negócios, em parceria com a austríaca Lenzing Fibers Corporation, desenvolveu um novo produto: o Modalino. O tecido é a mistura de 55% de linho e 45% de modal, fibra artificial de origem celulósica, apresentado na Fenatec 97.É um furo mundial com exclusividade no Brasil, diz o diretor de produto da Braspérola, Carlos Reis.
Para colocar o novo produto no mercado - com mais 700 variações de cores e 180 desenhos - a Braspérola trabalhou um ano em seu desenvolvimento com a Lenzing, empresa que investiu, no período de 83 e 92, US$ 400 milhões em proteção ambiental.
A Braspérola lançou também um tecido batizado de couro vegetal, desenvolvido em parceria com a Couro Vegetal da Amazônia S.A. Trata-se de um tecido de algodão revestido de látex e defumado, de forma que a borracha fica impregnada nas fibras do tecido. A aparência é semelhante ao couro, mas é um produto natural, explica o sócio da Couro Vegetal da Amazônia, João Augusto Fortes. Outra vantagem é o preço, de 20% a 30% menor do que o couro.
Fortes descobriu o produto em 1991, quando recebeu um saco de farinha da Amazônia revestido por esse processo. No ano seguinte, apresentou o tecido na Eco 92, e quase conseguiu uma encomenda para exportar o produto para os Estados Unidos, mas desistiu ao perceber que não teria condições de produzir 10 mil peças ao mês. Em 1994, o financiamento de US$ 1 milhão do BNDES permitiu o desenvolvimento do produto.
O tecido é feito de forma artesanal por dois grupos de seringueiros e duas tribos indígenas da Região Amazônica. A única mudança no contrato com a Braspérola é o tecido base, que deverá ser o linho. Já estamos em fase de testes com o linho, afirma Reis. Além do tecido, o couro vegetal também poderá ser utilizado para outros produtos.


