Brasileiros descobrem o Canadá
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sexta-feira, 24 de novembro de 2000
Rosângela Vale 
Nem Estados Unidos, nem Inglaterra. O destino de quem pretende fazer um curso de inglês no exterior agora é outro. Em função da excelente infra-estrutura, da hospitalidade do povo e, principalmente, dos preços convidativos, o Canadá já é, em algumas agências de turismo, o primeiro no ranking dos países mais procurados por estudantes.
Nos oito primeiros meses deste ano, o Student Travel Bureau, representado em Londrina pela Terra Nova, registrou um aumento de 104% na procura de cursos no País em relação ao mesmo período do ano passado. Com duração mínima de quatro semanas, acomodação em casa de família com meia pensão e níveis iniciante e avançado, o semi-intensivo de inglês oferecido pelo STB no Pacific Language Institute, em Toronto e Vancouver, sai por US$ 1.360, incluindo material didático e todas as taxas. O Yázigi também oferece cursos intensivos e semi- intensivos no Tamwood International College com hospedagem e todas as refeições incluídas em Vancouver, terceira maior cidade do Canadá.
De acordo com Gabriela Costa, da Central de Intercâmbio (CI), o fator econômico é determinante para quem escolhe estudar lá o dólar canadense é cerca de 40% mais barato que o dólar americano e os cursos são bem mais em conta. Um mês no Canadá, com acomodação, matrícula e meia pensão, custa em torno de US$ 1.100,00, enquanto nos Estados Unidos sai por US$ 1.500,00, contabiliza. Mas outras razões reforçam a preferência. No Canadá, é possível aprender inglês e francês ao mesmo tempo. Tem gente que faz curso de um idioma e fica hospedado na casa de uma família que fala o outro, observa ela.
Segurança A CI oferece ainda a opção de fazer um curso de duas semanas de inglês e duas de francês na cidade de Montreal, ao preço de US$ 1.090,00, incluindo acomodação, meia pensão e matrículas. Conseguir o visto para lá também é bem mais rápido. Demora de três a quatro dias úteis, e a documentação exigida não é tão complexa quanto a solicitada pelo consulado americano, esclarece Gabriela, informando que, para alguns passageiros, pode haver a solicitação de entrevistas por telefone.
A tranquilidade das cidades canadenses que estão entre as mais seguras do mundo é outro fator a ser levado em conta na hora de contabilizar as vantagens da escolha. Eu costumava andar pelas ruas até a meia-noite, sem perigo nenhum, conta o estudante Fábio Henrique Teodoro, 17 anos, que aproveitou as férias de julho para passar um mês em Toronto estudando inglês. Escolhi o Canadá pelo preço e também para conhecer um país diferente. Era a primeira vez que eu viajaria para o exterior, e os Estados Unidos já são muito manjados, diz.
Gabriela lembra que a única preocupação de quem está planejando embarcar para lá deve ser a temperatura. Para os que não gostam de frio, melhor esquecer os meses de janeiro e fevereiro, principalmente se o destino for Toronto. Durante o resto do ano, as temperaturas variam de 10 a 20 graus, informa. Entre julho e agosto alto verão no hemisfério norte os termômetros costumam registrar de 20 a 23 graus em Vancouver e Montreal.
Marcos Santos, do SIS Intercâmbio Cultural, explica que, com a alta do dólar, os Estados Unidos ficaram praticamente inviáveis para grande parte dos bolsos brasileiros. E o Canadá foi o substituto mais viável economicamente. As cidades de Toronto a maior do País, com 4 milhões de habitantes e Vancouver são as mais procuradas. Segundo ele, o preço da passagem aérea também é convidativo. Para Toronto, com saída de São Paulo, a passagem de estudante, válida por um ano, custa US$ 649,00 (mais US$ 59,00 de taxa de embarque). A passagem comum, com validade de um mês, sai por US$ 800,00, com saída de Londrina.
Hospitalidade Até março, o SIS está oferecendo uma promoção para cursos de um mês no Canadá: US$ 999,00 por 22 horas e meia de aula por semana, café da manhã, almoço e jantar e acomodação em quarto individual. Para os raros clientes cujos números acima não convencem, Marcos costuma citar a hospitalidade dos canadenses. Como são povos provenientes de muitos países, todo mundo entende que é preciso se ajudar mesmo, diz. Outro argumento usado por ele é facilidade de compreensão do inglês falado por lá. Um meio-termo entre o americano e o britânico, define.
Larissa Ribeiro da Cruz, 23 anos, esteve em Toronto com o marido, em julho deste ano, e só tem elogios a fazer. Eu adorei, é um país gostoso, as pessoas são extremamente amigáveis. Se vêem você na rua com um mapa, parecendo meio perdido, param para ajudar, conta. As amizades que fez por lá foram outro ponto alto da experiência. Tanto que a dona da casa onde o casal ficou hospedado vem passar o fim de ano em Londrina. Larissa observa que quando a pessoa não conhece o Canadá, costuma pensar que o País é uma extensão dos Estados Unidos. Não é nada disso. É muito mais aconchegante, garante.
A designer de moda Montaha Ayoub é outra fã incondicional do Canadá, mais especificamente da capital Ottawa, que fica a três horas de trem de Toronto. Para mim, é a mais bonita de todas, diz. Ela chegou a morar lá durante um ano, em 1981, e já voltou várias vezes. Este ano, ficou três meses fazendo cursos de moda na Richard Robson LAcademie des Couturie Canadiens.
Como habitué do País, ela revela algumas manias gastronômicas de lá, como o chicken club, um sanduíche tradicional, de dois andares, que custa US$ 4,95. Já o brunch, que pode ser simples (com omelete, toast e hot tea com limão) sai por US$ 5,90, e o completo, que inclui panquecas, por US$ 7,50. O hot tea é uma espécie de bebida oficial e o preço varia de US$ 1,00 a US$ 1,20. A Coca-Cola de latinha pode ser encontrada a US$ 1,00 e a US$ 1,50. Para pegar um cineminha, não é preciso desembolsar mais do que US$ 8,00. De acordo com Montaha, o programa obrigatório em Ottawa é alugar uma bicicleta (cerca de US$ 20,00) para passear pela cidade. Ela garante que a experiência é inesquecível.


