Um levantamento recente aponta que 98% dos brasileiros apresentam algum nível de cansaço. Este é o dado mais alarmante constatado na pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da farmacêutica Sanofi. Os dados foram coletados em entrevistas on-line com 1.499 pessoas de 18 a 64 anos em todas as regiões do país. 24% das pessoas entrevistadas afirmaram estar muito cansadas, 37% se consideraram bastante cansadas, 37% estão um pouco cansadas e apenas 2% não estavam cansadas. As mulheres foram as que mais se declararam muito ou bastante cansadas e 70% dos entrevistados apontaram o estresse e a correria como o principal motivo do problema. A falta de condicionamento físico foi identificada por 45% dos entrevistados, problemas pessoais (33%), a alimentação desequilibrada (32%), a acomodação e a preguiça sem motivo (22%), problemas no trabalho (21%) e problemas de saúde (12%) também foram motivos de cansaço apontados pelos entrevistados.

A fisioterapeuta Gerseli Angeli auxiliou a equipe organizadora da pesquisa na definição do questionário que foi aplicado aos entrevistados. Ela explica que o cansaço é a prova do quanto o sedentarismo e o excesso de compromissos interferem na qualidade de vida das pessoas. "Estamos nos alimentando pior e por conta da tecnologia que facilita a nossa vida nos movimentamos cada vez menos e temos menos disposição para praticar atividade física. Na hora de elaborar a pesquisa a gente já intuía que o brasileiro estava perdendo disposição", comenta.

Gerseli lembra que há cerca de 40 anos as mulheres tinham uma vida muito mais ativa mesmo sem praticar esportes regularmente. "Os afazeres pertinentes às atividades domésticas possibilitavam que as mulheres fizessem mais exercícios. Homens e mulheres foram trocando pequenas atividades pelo conforto, aos poucos perdemos a proteção que nos dava saúde e o sedentarismo se instalou", destaca. O sedentarismo é reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como fator importante para o desenvolvimento de inúmeras doenças. Para a fisioterapeuta, modernidade que nos estimula a subir o vidro do carro apertando um botão, usar o elevador em vez de subir um lance de escadas e usar o carro para percorrer pequenas distâncias acabou trazendo prejuízo para a nossa saúde.

Existe uma doença chamada astemia que é identificada justamente quando a pessoa tem a sensação de que o cansaço não se resolve com o descanso. "O cansaço é na verdade uma forma de defesa do organismo. O principal sintoma da ação negativa do sedentarismo é justamente a falta de disposição e conforme vai se poupando o indivíduo vai entrando no ciclo vicioso da vida sedentária. A tendência é piorar cada vez mais", aponta.

Para driblar o sedentarismo a fisioterapeuta garante que não é preciso correr para fazer a matrícula em uma academia e que o mais importante é não confundir ser sedentário com ser praticante de exercícios. "Devemos ter uma vida com mais gastos calóricos e podemos fazer isso usando mais a escada, dispensando o interfone para passar recados a alguém pessoalmente, aumentando o percurso do passeio com o cachorro ou brincando com os filhos", exemplifica. Conforme ela, se conseguirmos gastar 2.500 calorias por semana em quaisquer atividades físicas já não nos enquadraremos mais no perfil de pessoas que não são sedentárias. "É importante dar o pontapé inicial sem esquecer de cuidar da alimentação", completa. A partir desta mudança de rotina, a fisioterapeuta garante que o cansaço será reduzido e a disposição voltará aos poucos.

Imagem ilustrativa da imagem Brasil, um país cansado
| Foto: Shutterstock
As mulheres foram as que mais se declararam muito ou bastante cansadas e 70% dos entrevistados colocam o estresse e a correria entre os principais causadores do mal
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