Brasil ainda tem dificuldade de manter meninos na escola
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Agência Estado 
O Brasil é um dos países que já alcançaram a meta de igualdade no acesso à educação entre meninos e meninas, prevista para 2005. Agora, enquanto boa parte do mundo ainda briga para colocar mais meninas para estudar, o País enfrenta um problema contrário: a dificuldade de manter os meninos na escola. Nos anos finais do ensino fundamental, no ensino médio e no superior, as meninas dominam.
Em 1990, no Brasil, 94,7 % dos meninos estavam no ensino fundamental; entre as meninas, o índice era de 86,7%. Hoje, a matrícula dos meninos é de 96,8% e das meninas, 97,1%. Mas, quando se chega ao ensino médio, a taxa já é de 68,7% entre os meninos e de 74% entre as meninas.
''Esse é um problema real não apenas no Brasil, mas no restante da América Latina e no Caribe. Estamos buscando uma solução'', disse a diretora-geral do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), Carol Bellamy. Segundo ela, os problemas econômicos da região estariam tirando os meninos da escola mais cedo. Ao contrário do resto do mundo, onde as meninas tendem a ficar em casa para ajudar a mãe ou cuidar dos irmãos, no Brasil e na América Latina a tendência é que os meninos ajudem a família, deixando a escola para trabalhar.
''Uma das razões da manutenção das crianças na escola é a possibilidade de a educação ajudar na obtenção de um emprego melhor. Com os problemas econômicos que os países enfrentam, essa possibilidade diminui, colaborando para que os meninos saiam antes da escola'', observou Carol. A taxa de matrícula inicial é a mesma, mas a medida que as séries avançam, mais meninas ficam e mais meninos deixam os estudos.
Hoje, 57% das crianças que estão fora da escola no mundo são mulheres. A probabilidade de que a meta de igualdade seja cumprida até 2005 é ínfima. ''O mundo sabe como fazer. Não podemos ter mais desculpas para que ações não sejam tomadas'', disse Carol. n


