Boquinhas precoces
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Thiago Nassif<br> Reportagem Local 
Com a implantação do Ensino Fundamental com duração de nove anos - já em vigor nas escolas particulares e até 2010 aplicado nas escolas públicas - educadores de todo Brasil se deparam com uma nova realidade: iniciar seus respectivos alunos na leitura e na escrita a partir dos 6 anos de idade. Tarefa difícil?
Para as autoras do livro ''Boquinhas na Educação Infantil'', Renata Jardini e Patrícia Thimóteo, nem tanto: a chave para bons resultados, segundo a dupla, consiste na capacitação através de uma metodologia eficaz. ''Com bases sólidas, desenvolvendo habilidades como consciência fonológica, fonêmica e os processamentos auditivo e visual central, crianças a partir de 4 anos poderão se beneficiar com os exercícios propostos no livro'', defende Renata, que esteve em Londrina na última semana.
Antes de chegar às prateleiras, ''Boquinhas'', hoje em sua sexta edição, foi testado em um projeto-piloto no município de Ribeirão Bonito (SP), com 204 crianças e seus educadores. ''O resultado das sondagens nessas crianças foi bem acima do esperado inclusive para mim, como autora: o trabalho que anteriormente tomava 12 meses dos educadores foi reduzido para dois'', revela Renata.
O método - Boquinhas, boquinhas, boquinhas. Diante de tantas citações ao método, a pergunta que ecoa: mas afinal, como funciona? Com a palavra, Renata. ''O método das boquinhas consiste em um trabalho fono-viso-articulatório, mesclando o som com o visual das letras e os articulemas, ou seja, as boquinhas, que são sinestésicas, vinculando as impressões às imagens''.
Segundo Renata, sendo sinestésico, a criança, ao se reportar à boca, aprende aquilo que está sendo falado, compreendendo e, posteriormente, escrevendo. O alfabeto todo é ilustrado por diferentes ''boquinhas'', que, de uma forma lúdica, acabam por ensinar a formação das palavras. ''Esse é o grande ganho do método, uma vez que atingimos qualquer tipo de criança, seja ela surda, cega ou com necessidades especiais'', exemplifica.
Aos mais resistentes, vale lembrar que a proposta ''é apenas ajudar no processo de alfabetização, até porque não adianta você pegar o que está sendo feito com a criança de 7 anos e passar para a criança de 6, não vai dar certo'', explica Renata, doutoranda em pediatria, psicopedagoga e fonoaudióloga.
Outra crítica comum rebatida por Renata, é que, antecipando o processo alfabético, haveria um desgaste precoce das crianças em relação aos estudos. ''Pelo contrário. A criança, tendo subsídios confiáveis, aplicáveis, ou seja, que realmente funcionem, se desenvolve no seu ritmo. Há crianças de 5 anos que vão se alfabetizar, outras, não. É natural. Outra vantagem: o professor tem se sentido muito apoiado pelo método das boquinhas, pois começa a acreditar, a ter motivação, constatando os resultados. Aos que estão presos em paradigmas e têm resistência ao novo, sugiro que vale a pena tentar, experimentar. O método não tromba com nenhuma escola tradicional, aliás, vai muito bem com o construtivismo. Defendo o construtivismo com boquinhas'', argumenta ela.
SERVIÇO
Boquinhas na Educação Infantil será lançado em Londrina, dia 10 de agosto, às 19 horas, nas Livrarias Porto, no Catuaí Shopping. Informações: (43) 3348-0632.


