Pare e pense um instante: quantas plantas você tem em casa? Sem dúvida, a grande maioria das pessoas tem mais que uma. Seja no jardim ou em vasos dentro de casa, as plantas são utilizadas como ornamento, remédio e até amuleto. Mas alguns exemplares, apesar da beleza e popularidade, podem ser bastante perigosos para nossa saúde.
Os riscos mais comuns apresentados pelas plantas são alergias respiratórias, problemas de pele e intoxicações, que podem até levar a morte. Para as alergias, o problema está no pólen liberado pelas flores de algumas árvores. O médico alergista Luiz Alberto Scripes explica que algumas espécies se reproduzem com a ajuda do vento, que espalha o pólen de uma planta para a outra e o leva até nossos narizes, causando a alergia. As árvores mais comuns em nossa região, que funcionam dessa maneira, são a pata de vaca, a chuva de ouro e o alfeneiro. ''As flores de menos brilho e cor são as que utilizam esse tipo de fecundação e oferecem maior risco de alergias'', afirma.
Fungos e ácaros Outros inimigos de quem sofre com os problemas respiratórios são as samambaias e os xaxins. Isso porque eles retêm humidade e facilitam o acúmulo de fungos e ácaros. O especialista recomenda que pessoas que sofrem de alergia não tenham esse tipo de planta dentro de casa. ''Alergia não é causada por fator externo, ela vem da genética de cada um. Para quem não tem alergia, apenas as flores causam algum tipo de irritação por causa do cheiro, que não é sintoma alérgico. Mas quem tem propensão genética deve manter distância das samambaias e xaxins, que agravam o problema'', alerta.
Para a pele, o perigo está nas plantas que soltam o látex, aquele líquido branco que aparece quando se cortam as folhas ou caules. Ele provoca coceira, vermelhidão e queimaduras na pele e mucosas. No entanto, espécies que não soltam látex também são perigosas para a pele e mucosas. Algumas, como o tinhorão, a taioba-brava, o bico-de-papagaio e o copo-de-leite podem até provocar lesão de córnea se tiverem contato com os olhos. Outras, como a urtiga, o avelós, a aroeira e a coroa-de-cristo causam irritação, bolhas e queimaduras. A paisagista Miriam Lopes Nakagawa afirma que esses acidentes ocorrem geralmente quando as pessoas vão podar e cortar as plantas sem proteção. ''O ideal é usar luvas de borracha e lavar bem as mãos com sabão depois de mexer em plantas'', ensina.
Intoxicações Mas o maior perigo está nas intoxicações, causadas por um número grande de espécies e que oferecem riscos de náuseas, vômitos, diarréia, convulsões, coma e até a morte. Crianças e animais domésticos são as maiores vítimas, por não saberem do perigo de ingerir partes de plantas. A farmacêutica e coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário de Londrina, Conceição Turini, afirma que cerca de 4% dos atendimentos em crianças menores de seis anos realizados no HU acontecem por algum tipo de intoxicação. ''Crianças pequenas têm o hábito de levar tudo à boca e acabam comendo plantas também. As maiores geralmente usa as plantas para brincar de casinha'', comenta.
Dentre as espécies mais perigosas estão comigo-ninguém-pode, taioba-brava e outras espécies de folhas grandes muito usadas em jardinagem. Elas são muito comuns nas casas e causam irritação e inchaço nas mucosas, vômitos, cólicas, dificuldade de engolir e asfixia, podendo ocasionar a morte se não houver tratamento adequado. Espécies que dão frutos e flores também são perigosas para os pequenos por serem mais atraentes. A mamona e o pinhão-roxo, ou pinhão-paraguaio, são os mais comuns nesses casos. ''O pinhão talvez seja o mais perigoso porque tem uma fruta que tem gosto de amendoim. As crianças acabam comendo esses frutos em grande quantidade se forem não alertadas'', avisa Conceição.
Cuidados O melhor para quem tem plantas em casa é mantê-las longe do alcance das crianças e ensinar os filhos que não se deve comer folhas, frutos e caules. Outro cuidado importante é saber exatamente qual o nome da planta. Conceição afirma que, muitas vezes, o tratamento de uma intoxicação é atrapalhado pela falta de informações dos adultos. ''Muitas mães ligam ou trazem os filhos ao hospital e não sabem dizer o nome da espécie que a criança ingeriu. É importante saber o que nós temos em casa e na vizinhança também'', alerta. E os perigos podem ser eliminados no momento de comprar as plantas para seu jardim ou casa. Míriam diz que as pessoas não se preocupam com o tipo de espécie que está levando. ''A maioria dos profissionais que trabalham com plantas não alerta seus clientes sobre o perigo de certas plantas. É importante que as pessoas que têm crianças e animais em casa perguntem sobre os possíveis riscos de intoxicação'', ensina.
Mas se uma criança ingerir alguma planta que você desconhece, o ideal é retirar os restos da boca dela, lavar bem e levá-la ao hospital, com um pedaço da planta, se possível. Dar leite pode ser um remédio imediato, mas ele deve ser usado com cautela, pois alguns sintomas podem piorar com a ingestão do líquido. O tempo de ação de plantas varia de duas a seis horas, mas Conceição recomenda que a criança seja levada ao hospital o quanto antes. ''Casos mais sérios são raros, mas é melhor que a criança seja trazida assim que algum sistoma apareça para que fique em observação'', avisa. O CCI tem um telefone que funciona 24 horas para ajudar no tratamento de identificação de espécies tóxicas. O número é (43) 3371-2244.

mockup