Quem é ou tem adolescentes, pré-adolescentes e crianças em casa sabe a facilidade que eles têm para lidar com a tecnologia e seus incessantes avanços. A primeira prova disso veio com os computadores internet, jogos e programas são usados por eles com a mesma facilidade com que os mais velhos manuseavam os carrinhos de controle remoto e os antigos videogames.
Agora é a vez dos telefones celulares ganharem espaço entre os apaixonados por novidades. Os aparelhos já não servem apenas para fazer chamadas telefônicas. Eles também enviam e recebem mensagens de texto, baixam músicas da internet, tiram fotografias, fazem filmagens e podem ser personalizados nos toques e telas de proteção.
Com tantas possibilidades de funções, eles se tornaram os objetos de desejo e amigos inseparáveis da maioria dos jovens. É fácil encontrar nas escolas, shoppings, bares e boates meninos e meninas usando os aparelhos para se comunicar com alguém que está distante ou, muitas vezes, bem perto, do outro lado do corredor ou da pista de dança. Até acessórios, como capas, adesivos e chaveiros estão disponíveis nas lojas especializadas para atrair esse público.
Invadindo o mercado Tanta inovação tem um mercado em potencial na faixa dos que têm menos de 25 anos. De acordo com a Sercomtel, são eles os grandes consumidores das novas tecnologias e utilidades dos aparelhos. A operadora revela que cerca de 30% de todos os clientes são pessoas até 25 anos, sendo que 40% desse total são jovens menores de 16 anos. Dentre todos os mecanismos disponíveis nos celulares, o que eles mais utilizam são os SMS (do inglês short message service serviço de mensagem curta), ou torpedos, como são conhecidos pela tribo teen.
Dentre todos os clientes das operadoras Vivo, Claro, Tim e Oi, cerca de 12 milhões são jovens entre 16 e 25 anos, que possuem celular e são responsáveis pelo envio de 300 milhões de torpedos por mês no País.
Para a estudante londrinense Pamela Manfrin, 16 anos, que ganhou seu primeiro celular quando tinha 12 anos e já chegou a pagar mais de R$ 200 em um mês de conta, os torpedos são bem práticos. ''Uso bastante porque é fácil e objetivo, além de ser mais barato. Já cheguei a mandar quase 500 torpedos em um mês'', conta. Já para Nathália Daher Cóser, 14 anos, as mensagens têm outras vantagens sobre as ligações. ''Quando você não pode falar, usa o torpedo. Se está em uma festa e tem muito barulho, se está na sala de aula e não pode atender, é bastante prático'', comenta. Até para namorar e paquerar os torpedos já são usados. O estudante e modelo Bruno Martins Dreves, 16 anos, garante que já conseguiu ficar com uma menina graças às mensagens pelo celular.
O estudante Vinícius Ribeiro, 15 anos, tem celular desde os 11, quando ganhou o aparelho dos pais por motivos de segurança. ''Quando preciso que meu pai me pegue em algum lugar, eu mando um torpedo e ele sabe que estou esperando'', diz. ''É bem melhor do que usar telefone público. E se me atraso quando saio à noite, minha mãe me liga e sabe que estou bem'', comenta Jennifer Thomas, 14 anos.
Cola O problema é que tanta tecnologia também está sendo usada para fins não muito honestos. Com os aparelhos equipados por um sistema de teclado inteligente, onde o usuário precisa apenas digitar uma vez a tecla da letra desejada e o aparelho monta a palavra, muitos alunos estão usando a técnica como um novo mecanismo de cola. Tanto que muitas escolas não permitem a presença de celulares nas salas em dia de prova.
A estudante e modelo Okçana Aliniki, 14 anos, acabou de comprar um celular porque todos os amigos dela também tinham. ''Já sei de gente que já usou para passar cola em uma prova e o professor nem desconfiou'', conta.
E os avanços não param. A mais nova tecnologia para o envio de mensagens é o MMS (do inglês multimedia messaging service serviço de mensagem multimídia), que permite o envio de mensagens com texto, áudio e imagens. Esse sistema está no Brasil desde 2002, mas apenas clientes de uma mesma operadora podem se comunicar dessa maneira.
Flash Mais acessível hoje e já é objeto de desejo da maioria dos jovens são os aparelhos que vêm câmera fotográfica. Segundo o vendedor da loja Móveis Brasília, Eduardo Garcia, são eles que mais chamam a atenção dos adolescentes. ''Eles acabam comprando aparelhos mais baratos, mas se pudessem levariam os que têm câmera e visor colorido'', garante. A estudante Renata Nabhan, 17 anos, é uma entre tantos que sonham com a novidade. ''Tenho celular desde os 12 anos e já troquei de aparelho quatro vezes. O próximo que vou comprar é um com câmera'', diz.
Sejam quais forem os recursos dos aparelhos, para eles o importante é ter um celular bonito e pequeno. ''Os mais novos se preocupam muito com a beleza e o tamanho quando compram um celular. Eles gostam de mostrar para os amigos'', comenta Eduardo Garcia. ''Escolhi esse modelo porque era pequeno, bonito e tinha músicas legais'', diz Jennifer Thomas, 14 anos. ''Eu não uso muito os outros recursos que o aparelho tem, mas acho legal que o celular tenha tudo isso'', completa Nathalia Daher Cóser, 14 anos. Parece que além de útil, celular também tem que representar o estilo do dono.

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