Mas, numa sociedade bombardeada por um volume enorme de informações, muita gente acha que deveria lembrar de muito mais coisas do que é possível e até pensa que tem falhas de memória. Não tem. Fica gravado o que é importante. O resto é deletado pelo cérebro.
''A imensa maioria das informações que recebemos é inútil, basta ver os e-mails que chegam ao seu computador todos os dias'', diz Ivan Izquierdo, professor de Neuroquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ''Nem é preciso ler antes de deletá-los.''
Existem vários tipos de memória. ''O cérebro funciona com uma espécie de memória on line, que permite lembrar da frase anterior para que a próxima faça sentido'', explica o especialista. Há também a memória de curto prazo. ''É como quando anotamos um telefone numa folha de papel. Durante algum tempo ele fica ali em cima da mesa, mas se usamos constantemente, ele se fixa na memória'', afirma. Se, ao contrário, ele não for tão necessário, vai parar numa gaveta. E, num dia de arrumação, pode ir parar no lixo. O cérebro faz a mesma coisa.
No entanto, para que a memória se fixe a longo prazo um processo bioquímico, que envolve síntese de proteínas e leva de 2 a 6 horas é fundamental que haja concentração e interesse. ''A maioria dos jovens, principalmente adolescentes, que se queixa de falta de memória, na verdade tem problemas de concentração'', diz o neurologista Paulo Henrique Ferreira Bertolucci, chefe do setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de São Paulo.
De acordo com ele, ter interesse e estar motivado a reter um dado novo é fundamental. ''Para lidar com esse quadro de saturação de informação, não adiantam nem remédios nem cursos de memorização'', diz. ''Um bom começo é dormir o suficiente, reduzir a velocidade com que a informação é absorvida e diminuir ou parar de tomar tranquilizantes.'' (R.B./AE)

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