Bom senso na lista
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Quantos pais, diante da lista de material escolar do filho, já não se perguntaram: mas serão mesmo necessárias tantas coisas? Qual deles, depois de receber o total da conta na papelaria, já não teve vontade de ligar para a escola questionando porque tem que gastar tanto se já paga uma pequena fortuna de mensalidade e, em alguns casos, uma boa taxa de matrícula?
O pior é que o tamanho da lista nem sempre é proporcional à graduação do aluno. Para os pequeninos do jardim da infância, alguns colégios particulares chegam a pedir tantos itens que só de olhar os pais já se assustam, imaginando o tamanho da despesa. Os colégios, por sua vez, alegam que a quantidade de material exigido é exatamente a necessária para as atividades do ano letivo. E que, no caso de sobras, devolvem no final do ano.
Mas, diante de tantas contas a pagar, esse gasto desnecessário não poderia ser evitado? Como, então, resolver a questão? Com bom senso, ensina a pedagoga Gilmara Lupion Moreno, docente da área de educação e chefe da divisão de creches da Universidade Estadual de Londrina (UEL).''Sempre cabe a negociação entre os pais e a instituição'', observa.
Baseada na sua experiência profissional, ela afirma que alguns materiais solicitados no início do ano, muitas vezes, acabam sobrando. ''Os produtos ficam estocados na escola e perdem o prazo de validade'', revela. De acordo com ela, nem sempre há necessidade de todos os alunos comprarem a mesma coisa. Uma sugestão é dividir a classe em grupos. Cada um deles traria um tipo de papel, por exemplo. ''Se a lista for padronizada, pode acabar sobrando material'', diz.
Outra idéia é negociar com a escola a compra de 50% do material no primeiro semestre e os outros 50% no segundo. ''A prática nos mostrou que a lista semestral é melhor do que a anual'', afirma Gilmara, enumerando os itens que considera essenciais numa lista de jardim da infância: sulfite, cola branca, lápis de cor, giz de cera, lápis preto, tesoura, apontador e caderno de desenho. ''Papéis dobradura, crepom e camurça são importantes, mas não há a necessidade de pedir para todo mundo'', diz.
Em alguns casos, há itens solicitados pela coordenação da educação infantil que deveriam ser da responsabilidade do próprio colégio. É o caso de sabonetes e papel higiênico. ''Penso que estes materiais poderiam ser fornecidos, senão totalmente, pelo menos parcialmente pela instituição'', opina a pedagoga. n


