Houve um tempo em que os animais de estimação comiam os mesmos alimentos que seus donos. Arroz, feijão, polenta, carne, doces e pães eram a base da dieta dos totós e bichanos. Hoje, muitos bichos ainda se alimentam assim, mas com a importância que eles conquistaram dentro das famílias e a divulgação da necessidade e das vantagens de uma alimentação própria, as rações ganharam espaço.
E se engana quem imagina que os bichinhos estão condenados a comer rações secas, sem muito gosto e feitas de maneira duvidosa. Os pet shops oferecem a mais variada opção de marcas, tipos, sabores e qualidade de rações, que podem ser cremosas ou sólidas, em forma de biscoito e recheadas. ''Com o aprimoramento das tecnologias de produção e dos ingredientes, é raro enncontrar uma ração ruim. Nenhuma delas é feita com restos ou com carnes estragadas como muita gente pensa. A matéria-prima se origina, na pior da hipóteses, de carnes não aceitas pelo padrão de qualidade visual'', afirma a veterinária Maria Thiemi.
O nível de desenvolvimento para a comida dos nossos amigos peludos é tanta que já é possível encontrar rações para determinadas raças, para animais doentes e para aqueles que precisam perder peso. ''São alimentos que realmente dão resultado, melhorando a condição do animal e ajudando a resolver problemas. Mas é preciso procurar laboratórios confiáveis, como a Purina, a Royal Canin, a Hil's e a Eukanuba'', ensina.
De acordo com a proprietária do pet shop Papa Dog, Vanessa Melges Lens, as alergênicas e diets são as rações específicas mais vendidas. ''É muito comum o dono continuar a usar esse tipo de alimento até o fim da vida do animal porque os problemas de saúde tendem a voltar'', comenta. ''Os alimentos diets funcionam muito bem desde que os donos sigam a dieta recomendada e façam o animal se movimentar. Assim como para os humanos, é preciso mudar os hábitos do animal para que ele perca peso e se mantenha magro. Para se ter uma idéia, um biscoito canino contém metade das calorias necessárias para um dia inteiro de um poodle toy'', completa a veterinária.
Para as enfermidades, existem alimentos para cães e gatos com diabetes, problemas renais, intestinais, cardíacos e alergias. ''Esses alimentos são medicamentos e devem ser indicados por um veterinário. Antes de comprar, é importante que o dono leve o animal para uma consulta prévia. O ideal é que antes de usar qualquer uma das rações especiais, seja para perda de peso, doença ou raça, o veterinário seja informado'', aconselha Maria.
Isso porque esse tipo de alimento é bem mais caro do que o convencional e possui formulação diferenciada. ''Essas rações custam em média 50% mais do que uma ração premium.
As que oferecem menos riscos são as rações específicas para cada raça. Segundo Vanessa, elas possuem uma formulação que supre as necessidades de cada animal e ajudam a evitar problemas típicos da raça e melhorar a aparência. ''O grande benefício é a qualidade do pêlo, mas também existem ganhos de saúde. Para os poodles, a comida ajuda a dar suporte para a visão, enquanto que para os yorkshires a ração evita o tártaro e, para os shih tzus, ela aumenta a imunidade. Os donos que adquirem esse tipo de ração elogiam muito e continuam comprando'', garante Vanessa.
Já o veterinário Ricardo Alexandre Guedes, proprietário da clínica veterinária Medicão e do pet shop Vida Pet, tem ressalvas quanto às rações especiais para raças. ''As fábricas nunca me enviaram nenhum estudo que comprovasse o efeito desse tipo de alimento. A maioria das doenças é genética e acredito que a alimentação não consiga resolver o problema. É muito mais uma questão comercial. Os donos gostam de comprar uma ração com a foto do seu animal na embalagem. Já os alimentos formulados para combater doenças, eu recomendo e sei que dão resultado.''

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