Bom para gente, mau para os bichinhos
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010
Micaela Orikasa<BR>Reportagem Local 
Quatros gotinhas de um medicamento anti-inflamatório foram suficientes para que a pintcher chamada Tika Alexandra fosse levada às pressas à veterinária. A dona, Astrid Kopp Magalhães, conta que a cadela havia sofrido um acidente e por isso, teve que colocar um pino no fêmur.
''Pouco tempo depois, ela passou a chorar de dor. Ninguém podia tocá-la, que ela chorava. Um dia à noite, não aguentei de dó e bem intencionada, dei algumas gotinhas de remédio para passar a dor'', diz Astrid, que no dia seguinte teve uma surpresa desagradável. ''Ela vomitava muito e tive que levá-la correndo ao veterinário. Chegando lá, descobri que ela já estava desenvolvendo uma gastrite por conta do remédio'', lamenta.
A médica veterinária Sônia Fatel Filla explica que a prática de automedicar os animais de estimação é muito comum. Segundo ela, de cada dez animais atendidos na clínica, um apresenta sintomas típicos do uso inadequado de medicamentos e até superdosagem. ''Os remédios de uso humano podem desencadear uma gastrite, insuficiência renal, intoxicação e até levar à morte'', diz.
Frente ao problema, a veterinária cita a falta de informação. ''As pessoas pensam que os medicamentos de uso pediátrico não vão agredir o animal, pois são indicados para crianças. Além disso, muitos donos chegam aqui e não contam que automedicaram o bichinho, pois eles nunca associam a doença ao medicamento'', comenta.
De acordo com Sônia, existem vários remédios de uso humano que podem ser dados ao animal, mas vale lembrar que os anti-inflamatórios, que têm o diclofenaco sódico como princípio ativo, e o paracetamol nunca são indicados e, geralmente, são os mais utilizados.
Mas também não adianta ir a um pet shop e seguir a orientação dos atendentes, é preciso consultar um veterinário, pois só ele poderá medicar o animal corretamente. ''Os animais são sensíveis aos princípios ativos desses remédios indicados para humanos, inclusive os de uso externo, como xampus e pomadas'', justifica.
E para diagnosticar se tem algo errado com seu bichinho de estimação, fique atento ao comportamento dele, se estiver muito quieto, apresentar falta de apetite, vômito e fezes com aspecto incomum, saiba que ele precisa de cuidados específicos. ''Se não tiver como procurar o veterinário imediatamente, eu indico soro caseiro ou água de coco para hidratação e até compressas quentes no local de dor'', orienta.
Então, mesmo que a intenção seja boa, o melhor remédio continua sendo procurar uma ajuda profissional para zelar pela saúde de seu grande companheiro.


