Bolsas de estudo
O balé agora está acessível à população de baixa renda. Várias escolas oferecem bolsas parciais e integrais para alunos que sonham com a dança mas não têm condições de pagar as mensalidades.
Na Escola Municipal de Dança de Londrina, dos 80 alunos aceitos anualmente, metade não pagam para estudar. ''E temos alguns que recebem os passes para o transporte, a roupa de balé e outros que ganham também um valor em dinheiro para ajudar nas despesas gerais. Setenta por cento dos alunos são de baixa renda e dos 500 que estão na escola, cerca de 100 estão na faixa de carência extrema'', afirma o coordenador da escola, Leonardo Ramos.
Mas o assistencialismo não é a base do projeto. ''Nosso foco é encontrar talentos para a dança. Há alunos de famílias abastadas que chegam em carros importados. Temos cursos de iniciação à dança em vários bairros da cidade e uma vez por ano fazemos uma seleção para encontrar aqueles que têm aptidão. Também aplicamos testes em crianças que nunca dançaram e nos procuram'', diz.
Ele explica que as crianças inscritas são avaliadas de acordo com fatores facilitadores para o balé, como desenho dos pés, posição do joelho, curvatura das pernas. ''Tudo isso ajuda na hora de executar os movimentos com perfeição'', afirma.
As bolsas de estudo são destinadas às crianças mais carentes. Aquelas que têm condições melhores pagam uma mensalidade de R$ 30. ''Mas todas são tratadas exatamente da mesma forma. Nunca tivemos nenhum problema por causa das diferenças'', comenta.
O estudante Guilherme Floriano Silva, 16 anos, é um exemplo de talento descoberto e apoiado pela escola. Há três anos na escola, ele é apontado pelos professores como uma promessa. ''Achava o balé interessante, mas não sabia que que tinha talento. Procurei a escola e consegui a bolsa de estudos. Sem ela não conseguiria fazer o curso'', conta.
Guilherme vê no balé a possibilidade de carreira. ''Todo mundo me apóia e sei que é possível conseguir viver do balé. Quando me apresento tenho uma sensação muito boa. Sinto que consegui superar meus limites, enfrentar as dificuldades''.
Para o coordenador, é importante explicar para os alunos a realidade da vida no balé. ''Não queremos que eles se iludam. O mercado é restrito, embora tenha melhorado um pouco. É difícil ficar rico com a dança, mas dá para levar uma vida normal. Mesmo assim, são poucos alunos chegam a se profissionalizar. Mas mesmo aqueles que não irão viver da dança serão pessoas modificadas, mais sensibilizadas. A arte faz isso, inevitavelmente'', garante Ramos.
Serviço Os testes de aptidão são realizados sempre em dezembro. Para se inscrever é preciso ter entre 7 e 12 anos. As inscrições são feitas na Escola Municipal de Dança de Londrina, na Rua Souza Naves 2.380. O telefone para contato é (43) 3342-2362. (H.F.)





