A saúde bucal do brasileiro ainda não recebe a devida atenção por parte da população. Mas não são somente as cáries que preocupam os dentistas. Acima dos 40 anos, os homens estão sujeitos a problemas sérios. Especialmente os que se encaixam nos chamados grupos de risco, ou seja, os estressados, sedentários e os que não se alimentam direito. ‘‘Com o sistema nervoso central abalado, este tipo de homem pode desencadear um processo involuntário, como o bruxismo (ou briquismo), que é o ranger dos dentes, especialmente à noite. Outro problema que verificamos é o travar dos dentes’’, observa a cirurgião-dentista, radiologista e semiologista Maglionia B. Riaunys.
O bruxismo e o travar dos dentes podem resultar em graves problemas de ATM (articulação temporo-mandibular), que se manifestam através de fortes dores de cabeça e até mesmo dores na região da boca. ‘‘Pode ser que os dentes também comecem a se desgastar, provocando o trauma oclusal. E, se o quadro for muito sério, pode ocorrer o surgimento do cisto periapical, ou seja, uma lesão na ponta da raiz de um dente sadio’’, diz. Maglionia lembra que estas são apenas algumas das ocorrências mais comuns, que podem piorar ainda mais por vícios como o cigarro. ‘‘As manchas escuras nos dentes são o mínimo provocado pelo cigarro, assim como o tártaro e doenças periodontais, que é a reabsorção do osso ocasionando mobilidade nos dentes’’, pondera a especialista.
Segundo ela, a consequência mais grave do cigarro é o câncer bucal. Manifesta-se, no início, semelhante a uma afta, em seguida se transforma numa úlcera com bordas elevadas. ‘‘Pode ser que também a boca fique toda branca, sintoma da leocoplasia, uma lesão pré-cancerosa, mais frequente após os 40 anos de idade. Essa placa branca aparece na mucosa bucal e não há como removê-la’’, afirma. A única forma de evitar o problema é prevenindo.
Em caso de lesões cancerosas bucais, o tratamento exige uma equipe multidisciplinar de profissionais. ‘‘Cabe ao dentista apenas detectar o problema e encaminhar o paciente. É por isso que recomendo aos meus pacientes acima de 40 anos que visitem o dentista de seis em seis meses, impreterivelmente. Principalmente, os que fumam, bebem e estão expostos ao estresse da vida diária’’. Outro alerta da cirurgiã-dentista diz respeito a pacientes hipertensos e diabéticos. ‘‘São pessoas que tomam remédios regularmente e que, por isso, devem avisar ao dentista a substância que ingerem. Isso porque, substâncias presentes em alguns tipos de anestesias são um perigo para quem toma determinadas drogas. É uma medida de segurança para evitar problemas posteriores na cadeira do dentista’’, alerta. ( C.C./AE

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