Fabiane Alencar
Agência Estado
Se você ainda pensa que ainda é possível crescer no mundo dos negócios contando piadas, calçando tênis ou palitando os dentes à mesa durante um almoço com seus clientes, esqueça. Com a era da globalização batendo às portas da economia, a saída é aprender a se comportar e ter noções básicas de boas maneiras, caso contrário nada de negócio fechado.
A afirmação parte da assessora em etiqueta empresarial e comportamento internacional, Suzana Doblinski. ‘‘É importante criar um sentimento de segurança muito forte para evitar constrangimentos’’, afirma. ‘‘Com a globalização da economia, ter conhecimentos em etiqueta tornou-se uma ordem. Qualquer executivo que deseja fechar bons negócios precisa ter boas maneiras.’’
Suzana comenta que todas as fases de contato com o cliente devem ser efetuadas com muita atenção, desde o atendimento ao telefone até o relacionamento durante as viagens internacionais. ‘‘Antes de viajar, a pessoa tem que obter informações sobre a cultura do país que estará visitando’’, orienta. Além disso, é necessário estar informado sobre a situação
sócio-política-econômica do país, bem como evitar assuntos que possam causar má impressão. ‘‘Cortesia e bom humor são sempre bem-vindos em qualquer lugar. Mas atenção! Bom humor não significa contar piadas antes de iniciar uma reunião. Os brasileiros adoram fazer isso’’, lamenta.
Além do ‘‘humor tropical’’ do brasileiro, os estrangeiros também não aprovam o tom de voz e a indelicadeza ‘‘verde-amarela’’. ‘‘Europeus e americanos não apreciam a falta de individualismo dos brasileiros. Lá fora somos considerados um pouco rudes’’, revela.
Trajes Na hora do encontro, o empresário deve se lembrar que está representando a empresa na qual trabalha e, dependendo do objetivo de cada uma, o estilo pode variar. ‘‘Não existe uma segunda chance para causar uma boa impressão’’, alerta. Não se pode comparar uma equipe de trabalho de um banco com aqueles que participam de um dia-a-dia na televisão. ‘‘Se a empresa é formal, exige-se uma roupa mais clássica, caso contrário, as pessoas podem se vestir mais à vontade’’, analisa Suzana.
Em qualquer situação que envolva importantes negócios ou um informal bate-papo com o cliente, a ordem é deixar de lado o estilo ‘‘Cheguei!’’ e adotar um visual mais clean. As dicas são evitar roupas curtas, decotes, jeans, fendas, cores berrantes, estampas exageradas, barriga de fora, perfumes fortes, unhas muito compridas e transparências.
Mas nem tudo está perdido: use e abuse de tailleurs, blazers, ternos de bons tecidos e bijuterias finas. ‘‘Uma boa pasta de couro é essencial, e as mulheres devem optar por bolsas em cores neutras, para evitar a troca diária’’.
Já os homens precisam olhar para os pés e tomar muito cuidado com os calçados. ‘‘Inventar e sair por aí usando sapatos nas cores bege, cinza e azul-marinho é simplesmente um desastre. O ideal continua sendo o marrom e o preto, sempre acompanhados de cintos e meias da mesma cor’’, ensina.
Choque cultural Outro item geralmente esquecido são as carteiras. ‘‘Elas não podem ser muito estufadas e desgastadas, e devem ser guardadas no lugar certo: no bolso interno do paletó’’. Acostumada a dar cursos de treinamento para executivos, Suzana revela que seus ‘‘alunos’’ sempre se apresentam bastante abertos às orientações, e as empresas estão preocupadas em investir nessa área, pois temem perder um bom negócio por culpa de um deslize.
As relações dentro do próprio país também merecem atenção. ‘‘O Brasil, por exemplo, é um País que apresenta uma diversidade muito grande de culturas e costumes’’, analisa Suzana. ‘‘O choque cultural sempre vai existir e se não houver cuidado pode-se gerar uma má impressão simplesmente inesquecível.’’
Serviço:
‘‘Negócio Fechado - Guia Empresarial de Viagens’’, de Suzana Doblinski, Editora Campos.

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