Linguagem corrente na comunicação virtual dos jovens, o bloguês já chegou à TV. Além de aparecer nos bate-papos entre Rique (Matheus Costa) e o pedófilo Bill (Jaime Leibovitch), em ‘‘América’’, a linguagem mircada é usada também nas legendas dos filmes do Cyber movie, uma das sessões do canal a cabo Telecine Premium. Os diálogos são recheados de abreviaturas e desvios da norma culta da língua, como no encarte do CD do Kid Abelha.
  ‘‘Assisti a um filme e não entendi boa parte da legenda. ‘Cara’ virou ‘kra’, por exemplo’’, conta a estudante de letras Juliana Latini, de 23 anos. Para o professor de português e colunista do Jornal Extra, Sérgio Nogueira, o problema é que muitos grupos não conseguem entender o ‘bloguês’. ‘‘A lingüística aceita tudo, se houver entendimento. Mas os códigos estão restritos a um grupo específico’’, diz.
  A professora de inglês Bárbara Alves, de 21 anos, faz parte desse grupo, mas critica os excessos. ‘‘A idéia era facilitar e não recriar a língua, como estão fazendo. Aí, não dá, né?
  Um exemplo: ‘‘Era 1 ksa mto hahahaha, naum tinha teto, naum tinha nada. Ngm podia entrar nela, naum, pq na ksa naum tinha chaum. Ngm podia dormir na rede, pq na ksa naum tinha parede’’.
  Tradução: ‘‘Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém podia entrar nela, não, porque na casa não tinha chão. Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede’’. (Trecho do poema A Casa, de Vinicius de Moraes) (Agência O Globo)

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