Celso Mattos
A busca por um ideal de beleza faz com que muitas pessoas procurem os consultórios dos cirurgiões plásticos na esperança de um milagre. Elas vêem na ponta do bisturi a possibilidade de ficar com o nariz, a boca ou olhos que sempre desejaram ter. Se possível, o mais próximo daquilo que elas acreditam ser um rosto perfeito. Não é preciso ir muito longe para descobrir as razões que levam tantas pessoas a sonhar com a fonte da juventude e da beleza eternas. Nunca o belo esteve tão em evidência como neste final de século. A mídia, de uma forma geral, tem feito uma exacerbação da beleza que reforça esse ideal.
Segundo o cirurgião plástico Manoel Calland, a maioria dos pacientes que procura as clínicas de cirurgia desconhecem o potencial e a finalidade do tratamento. ‘‘Geralmente, o paciente procura o médico em busca de um diagnóstico. No caso da cirurgia plástica, ele já vem com um diagnóstico pronto, sabendo exatamente o que quer. Inclusive, é muito comum o paciente trazer a foto de uma atriz ou de um ator que ele acha bonito, dizendo que deseja ficar com o nariz ou a boca daquele artista’’, comenta o médico.
Manoel Calland salienta que existem pessoas que depositam na cirurgia plástica a esperança de resolver até problemas de relacionamento amoroso. ‘‘Elas acreditam que se ficarem com o abdome, o seio ou rosto mais bonitos conseguem salvar um casamento em crise. Na verdade, esse paciente não está precisando de um cirurgião plástico, mas de um psicólogo’’, esclarece. Calland informa que a finalidade de um tratamento estético é corrigir defeitos, atenuar as marcas do tempo e ajudar o ser humano a envelhecer com dignidade, mas não a salvar casamentos ou mudar os traços físicos de uma pessoa para que ela fique parecida com outra.
Computador Partindo desse ponto de vista, o médico condena, inclusive, o uso de computador para fazer uma projeção de como o rosto do paciente vai ficar após a cirurgia. Uma técnica usada por muitos profissionais como sinônimo de recursos tecnológicos. ‘‘Na minha opinião, isso é vender falsas expectativas. No computador é possível ir contra a natureza e fazer todas as mudanças desejadas no rosto de uma pessoa, mas durante uma cirurgia o profissional estará lidando com uma matéria viva, na qual existem limitações’’. Para Manoel Calland, o correto é conversar com o paciente e dizer exatamente o que o tratamento pode fazer por ele. ‘‘É preferível você oferece um pouco menos e o paciente ficar satisfeito, do que oferecer muito e a pessoa ficar frustrada com o resultado’’, defende.
‘‘Não acho ético também mostrar aos pacientes fotos de antes e depois de cirurgias que deram certo. Se você mostra os bons resultados, tem que mostrar também os maus resultados, pois eles existem, inclusive, entre profissionais conceituados. Um exemplo disso, são pessoas famosas e abonadas que fizeram cirurgia plástica com cirurgiões de renome e ficaram com o rosto deformado’’, observa Manoel Calland.
Ele esclarece ainda que a cirurgia plástica é um procedimento cirúrgico como qualquer outro e que, portanto, coloca o paciente em situação de risco. ‘‘Um exemplo disso aconteceu com a modelo Cláudia Liz. Existem pacientes e profissionale que se sujeitam a fazer uma cirurgia plástica em locais não equipados e apropriados para reduzir os custos, o que pode ser muito perigoso. Isso, inclusive, acaba repercutindo negativamente no resultado porque o médico opera sem a tranquilidade necessária’’, alerta. Manoel Calland lembra que hoje as cirurgias plásticas estão mais acessíveis e que as pessoas não precisam correr riscos de vida para ficar mais bonitas e jovens.A cirurgia plástica não transforma ninguém em top model, portanto, é preciso ir com menos sede à fonte da juventude e da beleza
No computador é possível fazer uma pessoa ficar parecida até com a Ana Paula Arósio, mas durante a cirurgia o profissional trabalha com uma matéria viva, na qual existem limitaçõesArquivo Folha‘‘É muito comum o paciente trazer a foto de uma atriz ou de um ator que ele acha bonito, dizendo que deseja ficar com o nariz ou a boca daquele artista’’, comenta o médico Manoel Calland

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