Assim como o futebol, inventado pelos ingleses e aprimorado pelos brasileiros, o biquíni, apesar de não ser uma invenção verde e amarela, encontrou por aqui um território fértil de idéias. Os mais de sete mil quilômetros de praia e o clima ensolarado o ano todo ajudaram a transformar o Brasil em referência máxima mundo afora quando o assunto é moda praia. E isso não se discute.
Desde a invenção bombástica do francês Louis Reard, há exatos 60 anos, muito pano foi cortado quase sempre em pequenos triângulos. Relacionar o biquíni com uma bomba tem tudo a ver com a sua história. Primeiro porque foi assim batizado em homenagem ao atol Bikini (no Oceano Pacífico), onde os americanos fizeram os primeiros testes para a bomba atômica.
Na verdade, há uma certa polêmica na criação do duas peças. Alguns dias antes de 26 de junho de 1946, quando Reard apresentou o biquíni para o mundo, um outro francês, o estilista Jacques Heim, já teria lançado o seu ousado modelo para praia. E escolheu o nome de Atome (átomo). Infelizmente para Heim, Reard não só ganhou mais visibilidade com jogada de marketing durante os testes das bombas como é sempre lembrado como o pai da revolucionária invenção.
Se hoje usar um biquíni é algo corriqueiro, há 60 anos a situação era bem diferente. Para mulheres acostumadas com maiôs pra lá de comportados, o biquíni caiu como uma bomba para revolucionar o comportamento mundial. A aceitação inicial foi tão difícil que Reard precisou contratar uma stripper para posar para as fotos, no início de julho. Com formas triangulares, o primeiro biquíni tinha a calcinha bem cavada e a cintura alta (lembrando um sunquíni, esta sim uma adaptação brasileiríssima). ''São quatro triângulos de nada'', teria publicado um jornal da época.
Para ser aceito, o biquíni teve grande ajuda de divulgação vinda de Hollywood e suas divas vanguardistas. Atrizes de cinema passaram a usá-lo na telona e fora dela e causaram, além de frisson, um certo incentivo. Dez anos depois do surgimento do duas-peças, Brigitte Bardot apareceu deslumbrante com um modelo em xadrez vichy no filme ''E Deus criou a mulher'', de 1956.
No Brasil, foram as vedetes que influenciaram as mulheres a incluírem o duas peças no guarda-roupa. Foi o estopim para que os brasileiros se tornassem os principais criadores de novidades. As praias cariocas, principalmente Ipanema, logo se transformaram em lançadoras de tendências. Por lá surgiram as tangas, na década de 70, o fio dental e o asa delta, nos anos 1980.
Quando parecia que os biquínis sumiriam de tão pequenos, uma nova onda trouxe modelos maiores e mais elaborados nos anos 1990, com grifes de moda praia ganhando reconhecimento merecido. O carioca David Azulay, da Blue Man, foi um dos pioneiros na profissionalização do setor. Com a paulista Rosa Chá, de Amir Slama, os biquínis brasileiros foram parar na semana de moda novaiorquina e chegam a custar US$ 300. Não por acaso, a criação verde e amarela é vista nos Estados Unidos, na Europa e países asiáticos como produto de alto luxo.
No aniversário de 60 anos, o biquíni ganha de presente coleções fresquinhas lançadas no Fashion Rio Verão 2007, no início do mês. Nas passarelas cariocas, a invenção francesa esteve mais brasileira do que nunca.

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